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Jihad

Por vezes o homem é tão ignorante, que tudo não passa de mera ficção, mesmo a mais dura e perversa verdade. Tudo acontece de errado, com os outros, somos os perfeitos imperfeitos, imaturos e irreais. Deus sentado na sua cadeira de praia, a leste de seu querido dilúvio, olha a tudo atentamente. A dualidade de sua obra. As armas não eram obras deles, essas armas menos letais que a frieza presente no coração dos homens.
Seria a realização de seu sonho, o Palestino Hossam Al Sayad, morreria lutando, estava frente a frente com um Israelense. Como odiava este povo. Desde que era criança, fora instruído para matar estes homens filhos de satã. Sempre que estivesse diante de um deles, Allah guiaria sua mão para esmagar os inimigos do islã.
Seria a realização de seu sonho, o Israelense Tamir Barush, morreria lutando, estava frente a frente com um Palestino. Como odiava este povo. Desde que era criança, fora instruído para matar estes homens filhos de satã. Sempre que estivesse diante de um deles, Javé guiaria sua mão para esmagar os inimigos dos Judeus.
Hossam assumiu posição de tiro com sua uzi, ironicamente fabricada pelos inimigos, mas que por caminhos escusos chegara ao outro lado da fronteira, para acabar com mais um destes idolatras.
Tamir assumiu posição de tiro com sua uzi, sem saber por que motivos o inimigo lhe apontava uma arma produzida no seu país, mas nem queria saber, acabaria com mais um destes idolatras.
As armas foram disparadas simultaneamente. Morreriam os dois. Seria a concretização dos sonhos, morrer lutando contra um inimigo milenar, contra quem, são criados para serem inimigos. Seriam duas almas a menos na terra, uma no paraíso outra no inferno, sempre eu no céu, tu no inferno, independente de quem estivera pensando. Se não fosse o modo diferente de vestir, seriam dois homens iguais, eram jovens e cheios de vida, com uma vida toda pela frente.
- Imbecis!!! Nem para fabricar uma arma vocês se prestam.
- E vocês que nem sabem fazer nada. Retrucou o Israelense.
- Ah! É assim, então?
Disseram juntos, e se jogaram um contra o outro, com a mesma fúria, só que agora com as mãos vazias. Estavam famintos e fracos. Pois estavam pelo deserto, perdidos há horas. Não se sabe bem como, mas ironicamente, estavam no monte Sinai. Onde Deus ditou os mandamentos á Moisés.
- Allah vai acabar com todo o teu povo.
- Javé vai acabar com todo o teu povo.
Neste momento os dois dão se conta do que cada um falava. E jogando-se para trás proferiram.
- Então que este teu Deus, esse tal Javé, mate-me agora...
- Então que este teu Deus, esse tal Allah, mate-me agora...
Por mais de três horas eles esperaram pela morte oriunda dos céus. Adormeceram ali olhando as estrelas, e acordando com o sol esquentando a areia do deserto.
- Sabe de uma coisa? Este teu Deus não existe.
Disseram os dois. Ao se darem conta do que cada um falou, viraram-se um para o outro, e vendo que Deus não matara nenhum deles.
- Nos matamos por Deus, seja Allah ou Javé, e ele não existe.
Acima dali, bem distante, mas numa posição onde podia ver tudo, Deus tomava um suco de maracujá, para se acalmar, pois, Ele também não é de ferro, preocupado com o rumo que as coisas foram tomando, tão logo terminara de construir tudo que existe. Tinha criado o homem sua imagem e semelhança, mas esquecera de dar inteligência para todos. Havia mais de dois mil anos, que mandara um salvador, e não surtiu efeito. Ainda bem que tinha inventado a esperança. Tinha esperança que um dia tudo mudaria. Foi quando olhou para o lado e a esperança já fugia de mala e cuia, como diria um gaudério, e Deus também, já que é gaúcho. Ao contrário do que se pensa, Deus não escreve certo por linhas tortas, ele não sabe escrever. São Pedro pergunta:
- Quantos nomes têm, meu senhor?
- Todos, Pedro, todos. Cada um me chama por um nome diferente, mas eu sou só um. Já estou em crise de identidade. Chama-me o Freud, por favor.
Enquanto retornavam pelo caminho, rumo a Jerusalém, um grupo de extremistas matou os dois recém libertos. Tentaram dizer que eram amigos, fosse quem fosse, diriam que tinham descoberto que eram povos irmãos, nascidos de Abraão, e viveriam em paz dali em diante. Mas ao tentarem falar, foram alvejados com metralhadoras que cuspiam cem projeteis por minutos... Estavam livres...
Deus caiu da cadeira...
J B Ziegler
Enviado por J B Ziegler em 27/07/2007
Código do texto: T581468
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Ziegler
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 41 anos
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J B Ziegler