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Aureliano, o pai de santo

                                                                                 
Aureliano, o pai de santo.



Nos anos setenta quando trabalhava na Escola de Comunicações, havia um segundo sargento que se chamava Aureliano, baiano, jovial, alegre, prozateiro, estimado por todos devido as qualidades como pai de santo.
De vez em quando o nosso amigo era solicitado para resolver algumas questões na área da umbanda para algum sargento, familiares deles ou até de oficial tentando ser aceito na ECEME.
E para melhora as finanças o Sargento Aureliano costumava vender de tudo, como por exemplo: jóias de auto-valor, anéis de formatura de sargentos, pulseiras, relógios, roupas de marca... E tal fato proporcionava aos alunos estarem sempre devendo ao nosso amigo sargento.
Esse tipo de negócio não autorizado fazia com que o Aureliano nunca tirasse serviço porque havia sempre alguém querendo amortizar a dívida em troca de serviço.
Em um determinado me do ano de 1975 chegou à escola um capitão linha dura, cujo nome vamos chamar de Célio e ele foi designado para a chefia da seção administrativa, o capitão de infantaria era na época uma pessoa de temperamento difícil, de pouca comunicação com os subordinados e extremamente Caxias na acepção da palavra militar e logo tomou conhecimento das vendas não autorizadas que o sargento realizava, então, de imediato solicitou a presença do Aureliano na sua seção e tome sermão...
O capitão Célio recomendou explicitamente que o Aureliano parasse com as vendas e principalmente trocasse de serviço em troca de amortização de dívida.
O sargento tentou argumentar, todavia o capitão não deu nem chances do sargento falar e mandou que ele se retirasse de sua presença e o fizesse militarmente como manda o regulamento e foi enfático: case você desobedeça as minhas ordens terá sobre si o RDE e continuou: lhe dei uma ordem e cabe a você cumpri-la ou se responsabilizar pelos seus atos contrários.
Aí, o sargento se retirou e após sua saída, outro capitão mais moderno que o Célio, disse: Célio, Célio...Esqueça essa bobagem de não deixar o sargento vender as bugigangas dele. Você não conhece o Aureliano, está aqui há menos de um mês...Cuidado! Você pode se machucar com essa história.
O sargento é pai de santo de umbanda e dois mais famosos aqui na baixada, veja lá o que você vai arrumar para você.
Ele é respeitado nesse tipo de assunto, olha lá o vespeiro que você está cutucando, mas você é oficial dos mais brilhantes e cabe somente a você decidir.
O capitão Célio então respondeu Waldir, me admira você acreditar nessas bobagens, um oficial dos mais brilhantes da AMAN, não acredito que você possa dar ouvido a uma sandice dessa.
O capitão Waldir, então retrucou: bem o recado foi dado e você já está bem crescido e experto e brincou: foi até meu instrutor na Academia, lembra-se?
Ambos sorriram e passaram a falar sobre o expediente do dia.
Na semana seguinte chegou ao conhecimento do capitão Célio através dos espiões dele, os quais eram muitos, porque o capitão Célio sabia de tudo que se passava no quartel e qualquer coisa sempre chegava aos ouvidos dele.
O sargento Aureliano havia trocado de serviço em um sábado sem autorização e havia aproveitado para vender as costumeiras tralhas.
Imediatamente o Capitão Célio mandou que chamassem o Aureliano a sua presença e quando ele lá chegou, Célio o interrogou e Aureliano confirmou que havia trocado de serviço porque o Heleno estava lhe devendo um serviço e ele precisava fazer uma atividade espiritual e que também havia vendido realmente suas mercadorias. Então, o capitão disse: você pode ser retirar e já fique avisado que será punido.
O sargento saiu da seção cabisbaixo, pensativo sobre sua vida, que até aquele homem chegar ao quartel era ótima. Havia se tornado uma pessoa respeitada, estimada, considerada e principalmente ajudava as pessoas que dele necessitava. Agora tudo estava ruindo. Na sexta-feira o boletim diário publicou uma punição de oito dias de detimento para o sargento Aureliano e tal punição, que ele esperava que fosse somente uma advertência, cortou por completo os planos do sargento de realizar suas tarefas espirituais.
No dia que Aureliano foi posto em liberdade ele solicitou uma dispensa para desconto em férias de cinco dias e saiu sem falar com ninguém, tal saída se deu em uma segunda – feira.
Na quarta – feira da mesma semana começam acontecer coisas estranhas com o capitão Célio, fatos realmente estranhos! A começar pelo sumiço de um documento que ele teria que despachar com o coronel comandante e isso lhe proporcionou uma dor de cabeça muito grande porque foi chamado atenção na frente dos demais oficiais de posto igual e superior. Na mesma quarta-feira ele recebeu um telefonema do colégio que seu filho havia sido suspenso por quatro dias porque brigara em sala de aula com outro colega de classe.
Na quinta-feira, mal ele chega ao quartel foi chamado pelo comandante que lhe pediu o plano de manutenção de viaturas, o qual o comandante teria que levar para uma reunião com o general do Departamento de Comunicações e a confecção do mesmo era responsabilidades do referido capitão, não a confecção em si, mas a supervisão do mesmo até chegar as mãos do comandante.
O sargento responsável por faze-lo faltara na quarta e ninguém alertara o capitão do fato. Aí foi outra chamada do capitão pelo comandante e com severidade.
A sexta-feira começou braba, mal ele pôs os pés no quartel, recebe um telefonema que sua mulher fora assaltada e que levaram o carro dela e ela se encontrava na delegacia da Ilha do Governador realizando o boletim de ocorrência.
O capitão saiu todo nervoso para solicitar autorização ao comandante para poder prestar auxílio a esposa, o comandante lhe ofereceu toda solidariedade e mal o Célio transpôs os muros do quartel com o seu carro, veio um motorista todo aloucado e lhe deu a maior fechada e ele teve que colocar toda sua habilidade de motorista a fim de evitar a batida.
Resolveu tudo com a esposa e na segunda-feira, novamente a onda de fatos estranha continuou, eram coisas pequenas, mas que lhe davam dores de cabeça porque sempre queimavam a reputação que tinha de excelente oficial.
Então, o capitão Waldir ao conversar informalmente com o Célio disse: meu amigo eu bem que lhe avisei - sua vida era completamente normal, tudo transcorria de acordo com a normalidade do dia - a - dia, eu te avisei – não mexe com esse tipo de pessoa, porque quem mexe com essas coisas tem algo que não se explica, mas você não quis me ouvir. Não é um fato normal um documento desaparecer na seção, outro documento de suma importância não ser confeccionado e você esquecer de levar outro ainda para o comandante, seu filho que é uma pessoa muito educada vir a brigar em sala de aula, sua mulher ser assaltada, quase teve o seu carro batido em frente à escola e você anda tem estado nervoso. Você não acha muita coincidência que esses fatos começaram logo depois da punição do sargento Aureliano? O Célio ficou pensativo e depois disse – é somente coincidência, tais fatos não existem e mudou de assunto. O telefone tocou e um sargento após atender disse: capitão Célio, o sr está sendo solicitado no Departamento de Comunicações com urgência, o general Dennis que falar com o senhor pessoalmente.
Imediatamente lá foi o capitão Célio falar com o general e quando lá chegou levou uma sessão de advertências de vários oficiais mais graduados porque o Capitão em vez de ter enviado o plano de manutenção de viatura, ele enviara o plano de controle de saída de viaturas. Isso causou o maior bafafá e o Célio foi punido com repreensão. Saiu de lá cabisbaixo e quando estava se aproximando da escola esqueceu que havia por milésimos de segundo do sinal luminoso foi de encontro a outro carro colidindo.
Não ficou gravemente ferido, mas o suficiente para ter que dar entrada no hospital mais próximo, o Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
Foi atendido e logo depois liberado. Voltando à escola foi dispensado pelo comandante, mas antes ele passou por sua seção e lá o capitão seu amigo, foi logo dizendo: Célio, Célio... Eu bem que te avisei, mas você não quis acreditar. Sugiro que você chame o Aureliano e se entenda com ele para essa sua onda de má sorte acabar logo.
Célio, em fim mandou chamar o sargento Aureliano e quando ele chegou à seção meio assustado o Capitão Célio foi logo dizendo: Me perdoa Aureliano, me perdoa Aureliano, mas tira essa macumba braba de cima de mim, tira essa macumba braba de cima de mim, me perdoa e pode vender toda sua muamba em paz.
Depois de ocorrido o prestígio do sargento Aurelino se elevou ao mais alto patamar na Escola e todos faziam questão de ser amigo dele e por causa disso ele quase não tirava serviço porque sempre tinha alguém a sua disposição

Farick

































Farick
Enviado por Farick em 02/11/2007
Código do texto: T720619

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Sobre o autor
Farick
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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