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Mãe amante

Eram compadres na Lagoinha, onde as terras rurais há muito vêm sendo acuadas pelas chácaras, condomínios e comércio cada vez mais sofisticado.
O compadrio era para a eternidade. Zeca Giranda não havia batizado o Cristino, primogênito do Janjão? Não havia jurado ao padre nosso que o menino haveria de ser cristão em vida e na morte? Amizade costurada na beira do altar.
Acontece que a carne é fraca e o espírito derrapa se a alma capricha no descumprir. Caso do Zeca Giranda, cujo costume era beber e bestar no promissor comércio às margens da BR-135. Janjão também tomava a dose do hábito, no depois da missa, mas era só. Seu compadre não: era todo santo dia no boteco do Ferreirinha, assuntando o progresso dos forasteiros. Tanto fez que, certo dia, deu de cara com a ganância, num barbear matinal.
- Sim senhor! E por que não? Peço pro Cecéu comprar e tudo fica nos conformes!
A ambição tinha endereço: certa porção das terras do compadre Janjão, que margeava a rodovia e era litígio de herança.
Cecéu, sobrinho e testa de ferro do Zeca, apalavrou as tais terras e já mandou construir o que deveria ser um restaurante. Mas como na fábula do veado e da onça, o que um construía de dia, o outro demolia à noite.
Cansaram-se do obstinado Janjão. Decidiram livrá-lo do couro surrado de lavrador, pelas mãos de um famigerado jagunço.
A empreitada fácil tornou-se aflitiva quando se descobriu que a mulher do Janjão era invencível nas artes bélicas. O reverso aconteceu foi mais de uma vez. O cemitério local passou a se vexar com os corpos da cabroeira morta por Donanja e que vinham dormir para sempre em seu colo.
Zeca Giranda perdeu noites matutando em cima do matutar e achou jeito: era botar veneno na garrafa de pinga com boldo que o Ferreirinha trazia de parte na prateleira do Janjão. Pinga exclusiva. Capiroto soprou no ouvido do Giranda e ele arranjou um bocado de aldicarbe, que as gentes do mato conhecem como chumbinho.
Quem batizou a pinga foi o Ferreirinha Filho e, depois da missa e do hasteamento do mastro de São José, o Janjão foi tomar uma dose em homenagem ao santo e foi a última.
Era preciso celebrar vitória numa peleja tão dura e o Zeca Giranda cumpriu a usança local. Pagou cachaça para todos. Até o Ferreirinha Filho se embebedou e acabou falando mais do que devia. Como notícia ruim anda mais ligeiro que ventania, a conversa nem esfriou e a viúva já sabia de tudo.
Donanja era de modo rude e do agir sem muito matutar. A decisão foi no agora. Andou até o quarto dos meninos e trovejou:
- Cristino, meu filho, precisamos de conversar. Vá até o meu quarto, já!
O rapaz andava pelos 14 anos. Não foi uma nem duas vezes que a mãe o pegara bulindo em si mesmo, enquanto lançava olhares lascivos às suas generosas coxas maternas. Ela fingia que era nada.
O rapaz entrou, temeroso. Donanja avançou em sua direção. Arriou-lhe o zíper, enfiou a mão em suas calças, segurou-lhe o pau, apertou-o com raiva. O garoto babava e se estrebuchava e não se entendia. Donanja arrastou-o até a cama, sem tirar as roupas, e com as duas mãos guiou o membro novato na direção do éden. O paroxismo veio rápido, mas o menino queria mais e mais. Tentou rasgar as vestes da mãe, tocar-lhe os seios, as nádegas, as coxas. Ela se livrou com um safanão.
Aquilo, do jeito que começou, acabou. Num repente, Donanja levantou-se, ordenou que o Cristino arrumasse o zíper, tirou do armário puído um objeto estranho. Depositou-o nas mãos do filho. Uma velha cartucheira 12. Solene, tocou o rebento para fora de casa, sem agasalho:
- Não me volte aqui sem a pele do Giranda!

Göster Fakat
Enviado por Göster Fakat em 05/05/2021
Reeditado em 06/05/2021
Código do texto: T7248389
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Göster Fakat
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 55 anos
331 textos (14845 leituras)
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Göster Fakat