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MÃO

MÃO:




Pode-se matar  sem ter motivo? Pode acabar  com alguém  que nem mesmo conhece? Sem nenhum sentimento, rancor, ódio  ou amor?  Sem outra  coisa na cabeça senão  aquela vontade  estranha  de sentir a vida de alguém indo embora?  E antes que possam começar a pensar  em esquizofrênico,  paranóicos, policiais, ou qualquer outra pessoa  doente, tenha em mente  um homem comum, trabalhador, temente á Deus e cumpridor de suas obrigações.

Pois este sou eu!  E era exatamente nisso que estava pensando quando o vi Aquele tipo  de pessoa que não faria  falta á ninguém, que não era  ninguém. Um pequeno  escriturário, um caixeiro viajante, ou encarregado de almoxarifado. Talvez fosse casado  com uma mulher gorda  que ralharia com ele. Teriam filhos, dois, talvez três.Garotos normais, estudantes de primeiro ou segundo grau. Uma vida normal, pacata, sem atropelos  e nem mesmo sonhos, salvo  o de quitar a sua casa própria pelo SFH  ou o carro. Saber se os filhos estavam indo bem na  escola  e cumprir com as suas obrigações na cama.

Mas por alguma razão  acabei por escolhe-lo.Tenho certeza que não foi  por seu tipo físico – que até era o mais normal dos normais  - ou que tivesse  me olhado feio, feito um gracejo, um xingamento. Simplesmente porque estava no lugar certo na hora certa. Se  soubesse de tudo isso, ele não  teria  entrado no beco.

Foi no beco  que tudo aconteceu.A faca brilhando, o som seco  da lâmina  entrando  em sua barriga, uma, duas, três vezes. Ele se dobrando, seus olhos espantados  olhando para mim, o homem  que o matou. E que nenhum dos dois se conheciam. Posso dizer que um certo prazer  tomou conta das minhas mãos assassinas. E uma terrível  certeza: Ela iria cometer outros crimes. Mesmo sem motivo, razão ou lógica. E possivelmente  o próximo seria  em público, demonstrando que  o maior prazer – maior até que o sexo – era o de matar  em  público.

Foi por isso  que tomei a resolução que agora é definitiva. Com a mesma faca  extirpei a mão assassina.

Agora estou pronto. Não  mais assassinatos.

MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO
GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 04/02/2007
Código do texto: T369528

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 65 anos
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