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2-4-0: Assassinato, traição e chantagem (parte 2)

Vários anos depois

       Passaram-se oito anos do fato ocorrido no apartamento, o assunto foi esquecido junto com o assassino. Nesse intervalo de tempo Janice terminou a faculdade de direito e alcançou o cargo de promotora, teve dois filhos e vivia uma vida feliz. Há oito anos foi ao enterro de Roberto acompanhada de Marcos, pois ele sabia a importância que o amigo tinha para ela e foi ampará-la no momento difícil. Janice era dedicada ao seu trabalho e fez a acusação pegar criminosos perigosos. A marca no peito de Roberto depois do assassinato foi assunto de grande discussão, ninguém conseguia uma exata interpretação da cruz marcada no perito da vítima, por isso acabou deixado de lado por ser demasiadamente complexo.

      Quinta-feira, 18 de outubro de 2007
   
     Janice chegou em casa exausta do trabalho, deu um beijo nos filhos, a menina, Marcela e o filho, Victor e ainda deu um beijo no marido. Marcos era filho de um empresário do ramo dos transportes, mas seu pai havia morrido há pouco tempo, então ele e os irmãos assumiram a empresa. O marido era um sujeito dedicado ao trabalho e não tinha muito tempo disponível para a família e para ele mesmo, mas Janice aprendeu a lidar com isso e ela também virou uma pessoa apaixonada pela profissão, mesmo sendo de maior perigo para ela e para sua família. O marido estava assistindo à televisão.
      - Então. O que está passando de bom aí? Perguntou Janice.
      - Mais um processo para você ganhar – brincou o marido, mas não tinha idéia do quão séria foi a gozação.
       Estava passando em todos os canais um assassinato que ocorrera há pouquíssimo tempo, e na hora não se podia imaginar que o caso seria um tormento para a promotora.
       - Não quero saber disso agora, preciso tomar banho e dormir, quero apenas descanso agora – falou a esposa.

       No dia seguinte, o chefe de Janice na promotoria bateu à sua porta querendo entrar, logo foi autorizado por ela.
       - Tenho uma coisinha aqui para você – disse o chefe.
       - O que é?
       Silvio, o chefe, colocou o jornal na mesa da promotora na página que mostrava a polícia com o suspeito preso.
       - Já pegaram?
       - Ele é o principal suspeito, mas um advogado já conseguiu um habeas corpus. A denúncia ainda não foi feita, vou deixar a seu encargo. O corpo já foi para o IML, quero que você verifique o corpo antes de fazer a denúncia.
       - Tudo bem, deixe comigo.
       Na tarde daquele dia a promotora foi verificar o corpo, chegou ao IML e apresentou-se como promotora designada para o caso. Ao notar uma característica no defunto quase caiu pra trás, o morto tinha uma cruz desenhada no peito, parecida com a que estava no corpo do amante assassinado.
       - Você está bem doutora? Perguntou o funcionário.
       - Estou sim, às vezes eu me assusto com a maneira com que alguns são assassinados, dando uma desculpa para seu mal-estar.
       
       Janice passou o resto da tarde e do dia pensando no que vira. Marcos notara que a esposa estava abatida, mas ela disse que era apenas trabalho demais e uns casos muito difíceis.
       - Você precisa de um pouco de férias – disse o marido.
       - Eu sei, mas não posso tirar férias agora. Tenho trabalho a fazer – respondeu a esposa. Só não imaginava que este seria o pior que enfrentara até agora.
       Janice ligou para Silvio, seu chefe, que atendeu do outro lado da linha.
       - Como um assassino tão perigoso conseguiu um habeas corpus? E tão rápido?
       - Descobrimos que o tal assassino tem muito dinheiro, pode pagar excelentes advogados – respondeu o chefe.
       - Não acredito. Eu vou querer ter uma conversa a sós com esse criminoso.
       - Não recomendo você fazer isso, não sabemos de tudo que ele é capaz, mesmo se estiver algemado. Temos medo de que ele ataque você.
       - Não vai me atacar se eu não agredi-lo.
       - Por favor, doutora, você acha que um assassino espera o outro atacar para se defender? Se fosse assim eles não seriam assassinos.
       - Confie em mim doutor, eu sei como proceder.
       - Você é que sabe, antes do julgamento vamos realizar um encontro entre vocês, mas seja cautelosa, não o provoque e mantenha distância dele.
       - Eu disse que sei como proceder.

       O dia seguinte era sábado e Janice e Marcos levaram os filhos ao parque para se divertirem. As crianças estavam se entretendo nos brinquedos feitos de madeira, enquanto isso Janice e o marido conversavam:
        - Nós dois precisamos de férias meu amor, eu preciso de mais tempo para vocês e para mim mesmo, não consigo descansar direito com esse turbilhão de serviços – disse o marido.
        - Eu sei disso, precisamos viajar um pouco, descansar de verdade, mas agora está muito complicado. Vamos agüentar mais um pouco, só até este novo processo terminar, aí eu peço minhas férias que estão vencidas.
        - Eu tenho tanto orgulho de você. Há oito anos não seria capaz de imaginar que você seria uma pessoa tão dedicada ao trabalho e à família. Eu tinha medo de que você se acomodasse muito ao dinheiro fácil.
        - Nem eu poderia imaginar que mudaria tanto.
        Os dois se abraçaram, mas Janice ficou lembrando a sacanagem que fazia pelas costas de Marcos e consequentemente da morte cruel de Roberto e também da cruz em seu peito. Logo as crianças chegaram para abraçá-los e avisar que queriam sorvete.
         O sábado de manhã era um momento sagrado para a família, era o dia escolhido para viver os momentos importantes, por isso levavam os filhos ao parque para brincarem e para eles mesmos descansarem um pouquinho. À noite o pai fazia o jantar preferido dos filhos, hambúrguer e todos assistiam à televisão depois do jantar.

Farah
Enviado por Farah em 15/10/2007
Código do texto: T695281

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Sobre o autor
Farah
Curitiba - Paraná - Brasil, 31 anos
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Farah