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Objeto de PRAZER Descartável!

 
              Eu não sei quem é você, mas você sabe bem, muito bem quem eu sou. E m detrimento da verdade, eu também sei quem eu sou; por sinal, muito mais que o seu conhecimento por mim. Em contrapartida, não sei quem você é. Verdade! Somos feitos da mais pura contradição e por incrível que possa nos parecer, faz bem a espécie pensante do Planeta. Por você não posso afirmar, mas por mim, sim. Se não é seu caso, é o meu e duvido muito que conheces pormenorizadamente com quem andas!
           Sei que mexi com o seu brio; porém tinha que num momento qualquer falar assim, abertamente e até em tom meio acusatório e sarcástico; afinal sempre fui usada de modo a satisfazer o seu prazer e num piscar de olhos desmedidos, sou deixada (largada mesmo) de lado em troca de coisas que você entende como sendo mais confortáveis, agradáveis, fontes de comodidades e bem estar. Sem nenhuma vocação para cobranças ou alertas, pois como sabeis sou amante da liberdade, o que você principiou a conhecer comigo e abandonou a troco de acomodação, que é a forma e o meio sutil de levar ao ostracismo do sedentarismo.
                   No perdi e ganha em que somos lançados no dia a dia, alguém sofrerás as consequências. Apenas comentei: como sabes, jamais fui de dar palpite nas investidas de quem quer que seja. Como disse o Raul Seixas, “faça o que tu queres, pois é tudo da lei”. Todavia, esqueceu-se de dizer é que as leis são produzidas por nós e para nós. Enfim, questionar direitos é fácil; a insensibilidade esbarra-se nos deveres. Neste caso vale para mim, porque se alguém está exigindo e usufruindo de seus supostos direitos é porque alguém está cumprindo rigorosamente com seus deveres; fato não explicado por nenhum magistrado.
                     Acostumada a esses pormenores, descuido e tratos grosseiros, sigo a minha sina que é alimentar-te com prazer e leveza. Através de mim, o sol escaldante torna-se suave e a brisa roça sedosamente a sua face, alegrando-o, tal qual o balanço da jangada ao notar a chegada das águas enchendo os vazios do estuário. Diferente de certos fenômenos da Natureza que são impostos em conformidade com as estações do ano, posso oferecer-te um leque ventilado e levitante em qualquer instante; basta você me querer, o que convenhamos depois de suas descobertas e aventuras, está fora de cogitação, por conta d´isto e seu estupido abandono, levou-me a conhecer um asilo. Por falar em asilo, consegue imaginar que convivo continuamente em um ambiente onde impera um conjunto de máquinas emperradas. Humm, que legal! Esse infortúnio desmedido quase rimou. Lógico que uma rima nada agradável. Rima insalubre e insípida, como tem sido os meus dias.
                     Também porque retratar tais coisas se temos outras mais amáveis e íntimas para se venerar. Uma delas foi a viagem que fizemos a sós, pelo parque da Bodoquena, aquela foi a que restou. Como fui bem tratada e amada! Jamais imaginei que os bons tratos prenunciam o fim definitivo! Falo sério! Puro sentimento! Naquela viagem pudemos compartilhar do perfume das flores campestres; ser fotografada ao lado de animais silvestres; beber água puríssima da fonte do amor, como denominavam aquela formidável nascente de água cristalina e o melhor, acompanhado de fondue, passamos a noite juntinhos bebericando o mais puro vinho de uva na mesma taça; onírica celebração à espera de repousar os corpos exauridos coladinhos sobre lençóis perfumados na madrugada! Inesquecível noite! Embora com baixa temperatura, típico de montanha, nem precisamos de lareira; sobretudo, quando se ama insanamente, o calor vem do fundo da alma. Erupção perpetuada. Transpira-se o suor fumegante que exala o mais sublime............; e isto foi tudo que nos aconteceu! Quanta amabilidade de sua parte; sentia-me uma dama com seus finos tratos!
                          Como era de se esperar o segundo dia, a segunda noite, terceiro dia a terceira noite, seguiram-se rigorosamente o mesmo ritual: extremo esforço durante o dia para vencer aquelas morrarias e a noite...a noite...bom, a noite!... Como sempre, acredito que existe um óxido do tempo que corrói tudo e a todos, o que não poderia ser diferente comigo; embora que culpo-me: quem manda eu me lançar desvairadamente nas mãos de quem não merece!?
                   É chegado o momento de provar para o mundo o quanto aquela viagem foi transcendental e não acredito que não saibas; porque dei o meu melhor e a resposta foi as sensações e os espasmos que tivestes, o que denotava seu amor por mim e a realização daqueles dias interminavelmente felizes. Lubrificação! Essa é chave do segredo do amor incondicional. Pouco aconteceria se não fosse o auge que atingi e dou o braço a torcer que tudo foi motivado por você! Podia senti-lo como uma nota musical dedilhada pelos criadores, tamanho era a sensibilidade, sutileza e suavidade com que era tocada a minha essência; o que não poderia resultar em outra coisa que não fosse eu me derreter e molhar, lambuzar os meus carnudos (como sempre ouvi de você) lábios de tanta lubrificação à espera de ser devorados. Lubrificação! Estávamos insuperáveis naquela viagem e viajávamos para dentro de nosso ser! São nesses momentos que paramos para fazermos a reflexão de quanto somos pequenos, ínfimos e nos deliciamos em ser bem amados com os poucos minutos de dedicação e atenção a nós dispensados! Crianças sorridentes correndo atrás de pássaros. Aqueles segundos representaram a eternidade e se não tivéssemos passados por tais momentos, o que poderia eu estar relatando agora? Nada. Correr perigo faz bem e acalenta o ego.
                        Ah, meu nome? Alcunharam-me de “Magrela”, o que testemunhado pela verdade nem ligo, pois, mesmo se fosse gordinha não teria nenhum trauma com a balança e o espelho. Estão tentando resgatar-me, porém, mal sabe os doutos e letrados que fui objeto de uso e prazer de Albert Einstein; imaginem: Einstein, e não esses desqualificados que padronizam o padronizado povo. Deixe que o câncer da poluição coma-lhes as vísceras, intestinos e estômago. Alias, dizem que o peixe morre pela boca, há umas espécies que hão de morrer pelo comodismo e sedentarismo. Deixo o alerta: pratique esporte, ame e adote o seu coração antes que o médico cardiologista ame e adote-o em seu lugar. Coração desprezado, vai hoje passa amanhã, recompensa quem o desprezou.
                     O que descrevi não é desabafo, convivo excelentemente bem com o tenho, que são os pedais, selim, guidão, raios, pneus, câmaras de ar, quadro, aros, meu corpinho esbelto e coisas mais; e o poder de proporcionar muito, mas muito prazer. Para quem valoriza-me e me dá o devido valor, recompenso-o com o orgasmo do deus supremo dos pedais. Outro ponto: sem essa bazófia que é impossível tirar-me do anonimato numa cidade grande; porque sou aclamada em megalópes europeias; o nome deste asilo o qual estou encravada chama-se cultura do consumismo do petróleo. Agora entende porque fui venerada por Einstein? Inteligência, pensamento e espirito evoluído. Embora em outros tempos tenha me jogado nas mãos de qualquer mundano, ultimamente tenho escolhido os bons e merecedores para liberar o meu êxtase, sussurros e gemidos.
   

Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 24/04/2015
Reeditado em 25/04/2015
Código do texto: T5218323
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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