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A VIAJE MALUCA.

NA CENTRAL DO BRASIL
O ULTIMO TREM
CONSEGUI ENTRAR NO ULTIMO VAGÃO
ELE COMEÇOU A TRILHAR NOS TRILHOS
E FUI LOGO PARA A PORTA OPOSTA
DAQUELA QUE EU HAVIA ENTRADO.
MAS A MINHA VISÃO PASSOU
A VER COISAS ANORMAIS,
AI VOLTEI PARA A PORTA DE ENTRADA
NA COMPOSIÇÃO.
AO MEU LADO TINHA UMA MULHER NEGRA
QUE NÃO PARAVA DE BATER COM OS PÉS,
RESOLVI OLHAR PARA FORA DO TREM
E NOTEI QUE A PAISAGEM
FICAVA A CADA VEZ MAIS ESTRANHA,
EU TINHA NA MINHA CABEÇA
QUE AQUELE TREM ERA O 42, SANTA CRUZ.
AS COISAS COMEÇARAM A DIVERGIREM
DO QUE EU CONHECIA DO LADO DE FORA,
AS CASAS PARECIAM LODOSAS,TIPO,UM VERDE MUSGO
EM QUASE TODAS.
EU TINHA NA MINHA CONCEPÇÃO
QUE TRABALHAVA NA "COMLURB,"
E UMA CASA ME CHAMOU A ATENÇÃO,
TINHA UM SENHOR NA VARANDA
PINTANDO UM SOFÁ DE VERDE,
COM UMA PISTOLA DE TINTAS,
AQUILO ACHEI IMPOSSÍVEL,
E RETORNEI AO LUGAR DAS VISÕES CABALÍSTICAS.
NOTEI UM HOMEM EM PÉ NO ESPAÇO DA PORTA MAIS A FRENTE,
ELE NÃO PARAVA DE PISCAR OS OLHOS,
OUTRO HOMEM CANTAVA MÚSICAS INCOMPREENSÍVEIS,
OUTRA MULHER PUXAVA OS CABELOS,
UM SENHOR OLHAVA PARA O TETO,
UM RAPAZ SENTADO NUM CANTO AO CHÃO RESMUNGAVA,
OUTRO HOMEM COM UMA BOLSA NA CABEÇA,
UM CARA DESCALÇO BEM ARRUMADO,
UMA GAROTA OU PARECIA UMA GAROTA MESMO
COM AS ROUPAS RAGADAS E SUJAS,
E MAIS UM HOMEM EM OUTRO CANTO
FUMANDO UM CIGARRO DE PALHA,
UMA OUTRA MULHER BEIJANDO AS PRÓPRIAS MÃOS,
UM DANÇANDO,OUTRO SÉRIO DEMAIS, UM SORRINDO,
ALGUÉM SOLTAVA PIPA, EM FIM, UMA DOIDEIRA TOTAL,
E EU FIQUEI ENCABULADO.
ME PARECIA UM ENTROSAMENTO TRESLOUCADO.
TUDO JUNTO E MISTURADO.
ROCK,POP,MACUMBA,TANGO,AXÉ,E TALVEZ,SERTANEJO...
UMA MISTURA ALTAMENTE DEMOCRÁTICA.
POR UM MOMENTO ME LIGUEI
QUE TUDO ESTAVA ESCURO LÁ FORA,
O TREM NÃO PARAVA NAS ESTAÇÕES
QUE NÃO EXISTIAM E JÁ PERCEBI QUE ERA MESMO LOUCURA.
NÃO MAIS DO QUE DE REPENTE,
TODOS ESTAVAM DE OLHOS EM MIM
E REPARANDO OS MEUS DETALHES.
SENTI UM APEGO NO PEITO MUITO FORTE,
ACHEI QUE ESTAVA DESLOCADO
DENTRO DESSE DRAMA DE VIAJE,
MAS,PROCUREI FAZER ALGUMA COISA
LONGE DO MEU NATURAL.
NÃO SEI AINDA SE ERA MEDO OU RESPEITO
MAS, ACHO QUE ERA MEDO MESMO.
TALVEZ DE SER DIFERENTE OU ESTAR DIFERENTE
NAQUELES MOMENTOS.
ENTÃO, PULEI DE UM PÉ SÓ,
ME IMAGINEI TOCANDO UMA GUITARRA,
E TAMBÉM DEI O MEU SHOW.
ENTREI NO CLIMA DA ÓRBITA LOCAL
E NEM AS PERGUNTAS DO MEU INCONSCIENTE RESPONDI.
ACABEI TENDO NOTORIEDADE GERAL,
TALVEZ ISSO FOSSE VIVER SEM LIMITES,
DE TODO O TEMPO TENTAR ENCONTRAR SAÍDAS
PARA MELHORAR NA VIDA OU VENCER.
NEM SEI O QUE!
SERÁ IGNORÂNCIA?!
ACORDEI SUADO PRA CARALHO NO MEU QUARTO
EM CIMA DA MINHA CAMA,
E A MINHA MULHER BATENDO NO MEU ROSTO,DIZENDO...
ACORDA,CLAUDIO,
VOCÊ ESTAVA TENDO UM PESADELO.


                          ESSA FOI DEMAIS!!!

                          CONDOR AZUL.

Condor Azul
Enviado por Condor Azul em 10/02/2019
Reeditado em 10/02/2019
Código do texto: T6571605
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Condor Azul
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Condor Azul