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Trezealém

Trezealém

Eu estava caminhando pelo centro de Viamão e me distraí olhando as lojas, quando de repente senti uma pressão na cabeça e minha visão embaçou um pouco. Quando voltei ao normal, eu não estava mais no centro de minha cidade, eu estava em um outro lugar!
Era uma rua longa com vários estabelecimentos fechados e poucas pessoas transitando. Essas pessoas me  olhavam de forma estranha e eu com vergonha e medo demorei a encará-las. Quando o fiz, tomei um susto que me fez levar a mão a boca: as pessoas tinham olhos muito fundos, como se fossem zumbis.
Uma senhora me falou de forma muito áspera, o que me deixou com mais medo, que ali não era o meu lugar, que eu tinha que ir embora! Eu queria saber como ir, mas não sabia e nem mesmo tinha ideia de como o fazer. Aquela senhora não foi a única a me mandar embora dali!
Continuei a caminhar até que vi um estabelecimento aberto. Entrei e me deparei com três homens, um atendente do café, os outros dois eram consumidores. Pedi informações ao atendente. Eu estava em Trezealém e tinha de ir embora! Sai assustada do café, a rispidez das pessoas me assusta tão quanto ou mais o fato de estar perdida.
Continuei a caminhar até que quase tropecei numa senhora que estava esmolando à rua. Ela notou na hora que eu estava perdida e me chamou para mais perto, como se quisesse me segredar algo. Foi então que me mandou trocar a direção da rua e correr o mais rápido que eu pudesse mirando o primeiro lugar de Trezealém de que me recordava. Caso eu não voltasse ao meu lugar, teria de experimentar outro caminho.
Não pensei duas vezes! Respirei fundo e corri com a maior velocidade que pude alcançar, mirei o local e tive de parar para não sair da rua. Eu não consegui sair de Trezealém! Será que ficarei presa em Trezealém para sempre?
Voltei até o local onde tinha encontrado aquela senhora para a questionar sobre o outro caminho. Dessa vez, aquela senhora parecia tão ríspida quanto os outros. Mandou-me até o poço, eu deveria descer até o fundo, onde encontraria um corredor. Era por ali!
Fui até o poço. Estava seco, menos mal, mas como descê-lo? Rodeei o poço, olhei em volta e sem alternativas, decidi tentar descer me segurando nas paredes.
Não suportei duas tentativas de mover pés e mãos na parede cheia de limo do poço eescorreguei de uma altura de uns três ou quatro metros. Não enxergava nada! Achei ter entrado numa fria, pois não encontrei o corredor.
Foi então que tive a ideia de tatear de baixo para cima, talvez a entrada do túnel fosse pequena. E era! Me abaixe o mais que pude e, com dificuldade, consegui entrar. Tinha de ir me arrastando. Tinha pouco ar e nenhuma luz. De repente, dei com uma parede de madeira, era o fim do túnel! Forcei um pouco e a madeira cedeu, continuei a me arrastar e avistei luz, mais um pouco, avistei uma grade. Continuei e cheguei a Viamão pelos túneis secretos da igreja. Neste momento, apaguei. Só acordei quando ouvi a voz de meu marido. Eu estava na frente da caixa d'água com uma multidão a me olhar.
Podem me dizer o que for, Trezealém existe!
Marília Francisco
Enviado por Marília Francisco em 18/10/2019
Código do texto: T6772630
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Marília Francisco
Viamão - Rio Grande do Sul - Brasil, 35 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/12/19 16:43)
Marília Francisco