Faço-te amor!

Empurra a porta, meu bem,

busca recanto obscuro;

que não se veja a ninguém,

que só nos ouça o escuro!

Entrei! Por querer-te também

Queria mesmo esse ungüento

Ávido de um “certo alguém”...

Sabes assim que não agüento!

Que fechem olhos do gueto,

que não se escute o alarido;

em sinfonia, prometo,

serás amor em gemido!

Ah! Assim eu logo piro

Entre sussurros calados

Cheiro leve e suspiro

Essa pele tão perfumada

Abraça... Aperta... Me esfrega,

não peças, nunca, só toma;

vira-me – bruto – navega,

arrocha mais a redoma!

Preferes o amor selvagem?

Coxas famintas servidas no prato

Olha vou engatar a libidinagem

Sacio logo essa tua fome no ato!

Que rapidez o teu sexo,

é um vendaval – desatina!

Mostra-se a mim, circunflexo,

revitaliza-me a sina!

Sou mesmo todo intrépido

Não segura aí o teu orgasmo

Da mais fina arte nascido

Degusta meu viril espasmo

Ensarta a lança, que em riste,

veeiro firme é agressor;

neste portal, leite alpiste,

prega-me os braços em dor!

Encadeio a flecha no alvo

Certeiro na busca do amor

Será que assim serei salvo

Desse solfejo arrebatador

És meu furor, sou-te esboço,

singro por mares e espumo;

num beijo doce ao pescoço,

rebolas dorso – és consumo!

Deixas-me em completo torpor

Navego no corpo os abraços

A alma sente enorme calor

Afagos a tirar teus cansaços

E, no arrebol destas ancas,

brincas na ponta da língua;

se a cada parte me espancas,

a minha força se míngua!

Mergulho seco em teu seio

Para lamber-te em fatia

Parando bem ali no meio

Fonte... Seiva de empatia

Entrego-me toda e tão pura,

mordes-me a carne dourada;

Quase estremeço, em tortura,

num gosto amora, enlevada!

Ato e desato nessa fartura

Premio a quem é tão amada

Teso, bem firme, abusado,

abusa a fenda roliça;

e fica, assim, cavalado,

a provocar-me a nabiça!

Sou por ti assim inspirado

Cavalgo e te entrelaço

Como imã fico acoplado

Assim copulo meu laço

Ouvido mouco aos meus ais,

persegue o gozo, latente;

se grito e grito: - Não mais!

não pares, vai... sou candente!

Percebo tua força indolente

E irei aportar no teu cais...

A minha nau imponente

Até você gemer e pedir mais

Difícil, vem, animal,

quero-te insano, abissal;

sou-te telúrica e anal,

sei-me tão bem - nada igual!

Que dirá o diário de bordo

Para essa loucura labial

Nesse ritmo eu transbordo

Bordará a aureola boreal?

Embocas-me em fantasia

e no antro santo és pagão;

desnudo-me, à revelia,

em show de manha e tesão!

O que esperavas desse tição

Com teu lampejo que inebria

Se me atiças a imaginação...

Fervilho a paixão que vicia

O nosso fogo é fecundo,

olha meu céu aos espelhos:

faísca a jóia do mundo

nos verdes olhos vermelhos!

Nem sei de onde sou oriundo

Apenas esboço e encolho

Quero ir ao gosto profundo

Para onde olho e te acolho

Rebolo... Ah! Que te embolo

e se te enrolo, em ti rolo;

a tiracolo te colo,

num ato solo, te assolo!

Aprecio o duo e o grelho

Arrolo teus versos no prelo

Na prosa sei o que espelho

A labareda derrete esse gelo

Deleite em gozo indomável,

és-me entre júbilo e dor;

derramas leite inefável

nesta caverna do amor!

Exploro a tua gruta astuta

Jorro ali o líquido indolor

Implorando a tua escuta

É meu jeito de te dar valor

Que lento, agora, é teu corpo,

em meu talento ressoas!

Que lento, agora, é meu corpo,

nesta prisão, só tu voas!

Cheguei ao ocaso, não por acaso

Hei de renascer mais intenso

Não sou fera ferida de casos

Proponho reacender o incenso

Aperto as coxas, fremente,

quero perder-me a este gozo;

quero comer-te anuente,

tão quente, assaz, tão gostoso!

Estou entregue e demente

Sou teu suculento alimento

Pronto ao embate fremente

Envolto em cada momento

Repousa em mim teu cansaço,

molhado, assim, do meu cio;

refaço-te, enfim, ao regaço,

que a versejar silencio!

Odisseia de beijos e abraços

Eu que era córrego... Virei rio

Um náufrago nos teus braços

De fio a pavio em mar bravio

Peço-te, amor, nesta hora,

que não te vás do meu riso;

mas, se te fores embora,

diz que me adoras... Preciso!

Como hei então negar se imploras

Está bem claro que tanto te adoro

E direi isso aqui e também lá fora

Mas, por favor, veja se não chora

Porque agora... Vou mesmo embora!

Duo: Silvia Mota e Hildebrando Menezes

Assista em vídeo

https://www.youtube.com/watch?v=wq8h0WDRFZ0

Navegando Amor e Silvia Mota
Enviado por Navegando Amor em 07/10/2011
Reeditado em 09/04/2015
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