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RECITANDO A HISTÓRIA

Vou lhe falar de uma história
que aconteceu há muitos anos
de tudo que eu me lembro
daquilo que me contaram
e de coisa que eu li
são tempos de luzes e trevas
são dias de dores e glórias
vividos em cada espaço
de um lugar que ninguém conhecia
era tão escondidinho
que 'civilização' lá não tinha
existia um povo 'diferente'
vestido de tanga e cocar
chamada de gente 'selvagem'
sem 'cultura' ou 'instrução'
comia da terra as plantas
acreditava no deus trovão
fazia a dança da chuva
pra plantar e colher o 'pão'.

Do outro lado do mundo
viviam outras civilizações
comerciavam especiarias
fabricavam embarcações
tinham espírito aventureiro
fabricavam armas de fogo
pra novas terras conquistar
enfrentavam tempestades
ventanias em alto mar
e no meio das viagens
sede, fome e doenças a matar
nada disso importava
pra chegar do lado de cá
no país desconhecido
onde vieram colonizar
o povo da nossa terra
e sua cultura então mudar
tampando o corpo nu
da india Tupunambá.

Pisando na nossa terra
muito tinham a estranhar
o ar que era puro
até árvore que corante dá
pra tingir roupas de seda
do rei de Portugal
e de olho nas riquezas
mata a dentro a se embrenhar
povoando a nossa terra
e doenças a espalhar
na terra dividida
pela Coroa Portuguesa
pra barrar os interesses
de espanhóis e holandeses
e até corsários franceses
De Portugal a nossa língua
da Espanha a catequese
da Holanda a nossa Recife
e na história da Bahia
uma passagem triunfante
figura com honra e orgulho
a linda história
da Vila do Divino Espírito de Abrantes.

Tomé de Souza aportou
em nossas terras baianas
e aqui ele fundou
a capital do Brasil
resistindo Salvador
à invasão dos estrangeiros
com a ajuda da nossa aldeia
que foi sede militar
de onde partiram as tropas
pra expulsar os invasores
que queriam as riquezas
e também o pau-brasil
tesouro de nossa pátria
e de todo povo gentio
bens que se dividiu
e foram surrupiados
desconhecendo os direitos
dos verdadeiros donos
das terras do Brasil.

Mençao lhes seja feita
aos missionários jesuítas
João Gonçalves e Antônio Rodrigues
que fundaram a missão
na colônia dos tupinambás
que logo lhe deram o nome
Aldeia do Espírito Santo.
Passando por muitas pestes
e terrível escravidão
entre lutas e batalhas
quase foi à extinção
o povo daquela aldeia
que só queria libertação
mas até de alguns franceses
tiveram que se livrar
e os índios da aldeia
os levaram pra Mém de Sá.

Depois dos jesuítas
expulsos por Pombal
a Aldeia tornou-se Vila
levando outro nome
Espírito Santo de Nova Abrantes
agregada até então
a outro município
chamado Mata de São João.
Depois foi desmembrado
daquela região
continuando as mudanças
em sua estrutura e organização
passando por outros nomes
criando seus distritos
deixando de ser a Vila
para ser o Montenegro
e tem muitas outras coisas
que eu poderia contar aqui
mas agora eu vou parando
a minha homenagem a CAMAÇARI.










Maria Luiza D Errico Nieto
Enviado por Maria Luiza D Errico Nieto em 27/02/2007
Reeditado em 01/03/2009
Código do texto: T395606
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Luiza D Errico Nieto
Camaçari - Bahia - Brasil, 68 anos
449 textos (144292 leituras)
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16 e-livros (1027 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/09/20 11:15)
Maria Luiza D Errico Nieto