SAUDADES DOS MEUS VELHINHOS
 
Minha mãe, autodidata,
Nunca deixou me faltar
Um folheto de cordel
Que é cultura popular,
Pedia sempre ao meu pai
Para na feira comprar.
 
O seu nome era Maria,
Joaquina era o complemento;
Farias seu sobrenome
Porque o seu casamento
Foi só no religioso,
O Divino Sacramento.
 
Seu Fortunato, o meu pai,
Também amante da rima,
Satisfazia a esposa
Sua querida “obra prima”.
Eu, como filha dos dois,
Já fui entrando no clima.
 
Fortunato Ramos Regis
Que tem significado:
“O afortunado do rei
Em expansão”, só roçado
Conheceu em toda vida,
Mas se via agraciado.
 
Sendo amantes da cultura,
Mesmo sem cultura ter,
Os meus pais me incentivaram
Ao belo vício de ler.
Hoje eu sei: o que aprendi
Devo aos dois agradecer.
 
Bumba-meu-boi; pastoril;
Pau-de-sebo e outras mais,
São brincadeiras que eu via
Em criança, com meus pais,
Que hoje eu sei, por estudo,
São heranças culturais.
 
A Fortunato e Maria
Eu agradeço o que sou!
Nenhum dos dois a pobreza
Jamais de Deus reclamou,
Louvando cada um dia
Que o Pai do Céu lhes doou.
 
Até um dia meu pai
E minha mamãe querida!
Quando partir cá da Terra
Sei que encontrarei guarida
Nos braços dos meus amores
Num novo lar, noutra vida.
 
Natal/RN
16.02.2014 – 16:10