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A LIÇÃO DO RATO E O GOLPE DA PREVIDÊNCIA

Certo dia, um fazendeiro,
Ao retornar da cidade,
Trouxe um pacote na mão,
E por curiosidade,
Lá do telhado espiando,
Um rato ficou brechando
Qual seria a novidade.

 “Deve ser comida boa!”,
Calculou dessa maneira.
Mas quando viu o que era
Quase cai da cumeeira,
Pois o dono da fazenda
Trazia uma coisa horrenda
Que se chama ratoeira.

Aflito, o rato correu
Direto pro galinheiro,
Avisando da intenção
Do perverso fazendeiro.
Mas vendo o rato alarmar,
A galinha, sem pensar,
Disse lá do seu poleiro:

 “Senhor rato, eu só lhe digo:
Isso nunca traz temor
Para mim, que sou galinha.
Me desculpe, por favor,
Mas pra isso eu bato é asa,
Que ratoeira na casa
Só prejudica o senhor!

Mais aflito ainda, o rato,
Foi ao porco na carreira,
Uma carreira tão grande
Que levantava poeira,
E ao porco falou, então:
“Por favor, preste atenção!
Na casa tem ratoeira!”

O porco, tranquilamente,
E até com certa ironia,
Disse ao rato: “Companheiro,
Lamento a sua agonia,
Se conforme e tenha calma,
Que em favor de sua alma
Eu rezarei todo dia”.

Já quase desenganado,
Vendo o seu triste fadário,
Sem um colega sequer
Que lhe fosse solidário,
O rato foi apressado
Direto ao curral do gado,
No seu louco itinerário.

E perante a vaca, disse:
“Amiga, preste atenção,
Tem ratoeira na casa!
Quem trouxe foi seu patrão,
Que não me deixa mentir,
Por isso eu vim lhe pedir
O seu apoio de irmão!”

A vaca, que degustava
Um saboroso capim,
Sem fazer conta do caso,
Disse desse jeito assim:
“Pois se vire e se defenda,
Que essa coisa, na fazenda,
Jamais prejudica a mim!”

Frustrado, sem ter apoio,
Bastante desiludido,
O rato voltou pra casa,
Cansado e muito abatido.
Mergulhado na tristeza,
Viu que com toda certeza
O seu caso era perdido.

À noite, no casarão,
No seu silêncio pacato,
Ouviu-se então um barulho
Ligeiro que nem um jato,
Uma pancada certeira,
Do jeito de ratoeira
Na hora em que pega o rato.

O fazendeiro se achava
Já no seu sono absorto.
Porém, a sua mulher
Levantou do seu conforto,
E mesmo na escuridão
Percorreu o casarão,
Para ver o rato morto.

Assim mesmo, no escuro,
A patroa curiosa
Chegou junto à ratoeira,
Mas a mulher desditosa
No momento não notou
Que a ratoeira pegou
Uma cobra venenosa.

Presa a cauda na armadilha,
A perigosa serpente
Picou então a mulher,
Que caiu muito doente.
Quando foi de manhãzinha
Mataram logo a galinha,
Para fazer canja quente.

Dia seguinte, a mulher
Corria risco de vida.
Toda a vizinhança veio
Visitá-la, comovida.
Com tanta gente a chegar,
O patrão mandou matar
O porco e fazer comida.

O doutor, lá da cidade,
Para a fazenda correu,
Tentou de toda maneira,
Contudo não socorreu.
Sentindo grave piora,
Naquele dia a senhora
Do fazendeiro morreu.

Uma multidão de gente
Veio para o funeral.
Com tanto povo na casa,
O dono foi ao curral,
A vaca sacrificou
E em pouco tempo mandou
Dar comida ao pessoal.

Eis a moral dessa fábula:
Assim como a ratoeira,
Nesta pátria de golpistas
Da mais torpe bandalheira,
O golpe na Previdência
Vai atingir sem clemência
Toda a gente brasileira!...
PEDRO PAULO PAULINO
Enviado por PEDRO PAULO PAULINO em 25/01/2018
Código do texto: T6235807
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Sobre o autor
PEDRO PAULO PAULINO
Canindé - Ceará - Brasil, 53 anos
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PEDRO PAULO PAULINO