VOLTANDO NO TEMPO


Abrindo as janelas da mente
Vejo uma vila com costumes de aldeia
Peregrinando pelas três colinas
Caipirinha inocente  descalça e brejeira
Assim foi Bom Despacho cidade menina
De ruelas com o piso de  areia
Mal vestida,mas cheia de graça
Debutava  com o  seu coreto na praça

Folheando as páginas de outrora
Encontoi figuras relevantes
Escritos no livro da historia
Celebridades ilustres importantes
Que se doaram de alma e coração
Perpetuaram  suas memórias
Sem qualquer  remuneração

Homens desapegados que lutaram
Visando apenas o bem comum
Sem vencimento ou ajuda de custos
Seus próprios interesses dispensaram
Movidos pela fé e o amor
Cumprindo o dever sendo justos
São celebridades de imensurável valor

Assim foi Bom Despacho uma aldeia inocente
Caipirinha mal trajada, mas cheia de graça
Debutando descalça brejeira adolescete
Com toda a humildade de suas ruas e praças
A gente criança brincava e corria
Entre as pilhas de lenha e a maria-fumaça
A praga da droga ninguém conhecia
Triste realidade que hoje se passa

Ao cair à tarde quando o sol escondia
Uma bela corrente logo se formava
Na Hora de Ângelos... A ave Maria!
Enquanto na matriz o sino dobrava
Trilhando o caminho que ao céu conduz
Um só pensamento em oração
Louvando a Deus bendizendo a Jesus
Era um momento de paz no coração

Em meio as sombra do luscafuz
Passava apressado o atuante Anacleto
Competente funcionário da força e luz
Ligeiro ele ia com seu embornal indiscreto
Trocar um fusível numa rua qualquer
No seu árduo dever atendendo ao pedido
Às vezes ouvindo uma nervosa mulher
Dizer impropérios, a ele indevido

De seu dia a dia problema constante
Fugindo da ética sem dar o merecido valor
Ao trabalho prestado e tão relevante
Desempenhado por ele com carinho e amor
Ouvi a voz rouca do Romeu das latinhas
Perguntar se tem sobra boa
Ou se ao menos um pão velho, a dona tinha
E também... Se a jabuticaba avôa

Se dizendo deprimido insatisfeito
Meio grogue não se soube por quê
Vi o Pingo meter um tiro no peito
Bebendo umas e outras no armazém do pepê
Deixando seu sangue fluído no chão
Levantou foi beber novamente
Fizeram do laguinho centro de convenção
Alii discursava o papudinho Vicente

Defronte ao açougue do Chico inhôzinho
Colegas bocas de golo apupando o aplaudiam
Frequentadores assíduos do famoso larguinho
Moradores noutras ruas que  se reuniam
Augusto Dyélle esnobando valor
Da cruz do monte vina Sá dona da casa
Da área rural o lendário Amador
Vomitando fogo e cuspindo brasa

Do calabouço Zé peixe e Chiquinho das éguas
Imitando Everton correia reporter da globo
Vinha Zé repórter passando a régua
Dizendo-que : -no quenta sol a coisa ta feia!
Até a caixa d1agua pegou fogo
O laguinho era o centro de convenção
Desta turma de pobres excluídos
Que também foram nossos irmãos
Mas sem direitos reconhecidos

Gente que nasceu bom-despachense
Atores da vida real, anônimos e lendários
Que a esta terra também pertence
Figurantes do mesmo cenário
De uma ou outra forma tomaram  parte
Na formação cultural de nossa sociedade
Enaltecendo nosso histórico baluarte
Enriquecendo a cultura de nossa cidade!
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Geraldinho do Engenho
Enviado por Geraldinho do Engenho em 19/04/2018
Reeditado em 12/05/2018
Código do texto: T6313031
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