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HIPATIA DE ALEXANDRIA

              INTOLERÂNCIA x RAZÃO
Desde os primórdios da Humanidade que as Religiões -- criadas para libertar a alma -- quase sempre "escravizam" seus seguidores. Não poucas admitiam dizimar povos inteiros que não as aceitassem; outras pediam sacrifícios de animais e até de humanos (veja-se o caso de Abrão, depois, Abraão -- para agradar os deuses e/ou aplacar sua ira.
Incas, astecas e maias foram extremamente cruéis nesse aspecto, com sacrifícios de 10, 20 mil guerreiros presos em batalhas, de jovens virgens e até crianças, para que suas lágrimas lhes trouxessem a chuva. A intolerância parece ser o componente maior em cada uma, quem não aceita a crença em seus dogmas e seu Deus (ou deuses) deve morrer.

Na antiga Alexandria, muito além do seu tempo, a jovem HIPATIA -- astrônoma, matemática e filósofa -- incomodava os sábios de sua época e, ao recusar tornar-se cristã, acendeu o estopim da revolta machista que suas atitudes alimentaram ao ensinar Filosofia nas praças e na biblioteca ("Ágora") que seu pai Teón dirigia, êle também matemático e filósofo. Este cordel inspirou-se na revista "La Aventura de la HISTORIA", que aborda o filme de Alejandro Amenabar sobre HIPATIA DE ALEXANDRIA, cientista de renome, que viveu entre 370 e 415 de nossa era. Meu poema se baseia no texto muito completo de Dolores Lara, "HIPATIA - linchada por pensar" (pags 18-22, nº 131, set./2009, edit. SLU, Madrid) e no embate entre livre-pensar e Religião, entre intolerância e Ciência, ainda hoje, 16 ´seculos depois !
              (NATOAZEVEDO - 10/julho 2018, 6 hs)
************

    HIPATIA DE ALEXANDRIA
        I
Vem desde a Antiguidade
-- para falar a verdade --
luta entre religiões
com agressões e disputas,
guerras sangrentas, "fajutas"
entre cristãos e "pagões" ! (*1)

      I I
Quem ao irmão jura amar
não consegue perdoar
todo o que ao seu Deus ignora.
Nesse momento a vingança
sobre cada "ateu" se lança
e a intolerância aflora.

     I I I
Nem precisa professar
outra crença, outra fé...
basta não acreditar
que o Deus alheio é que é
o melhor e o recusar...
"meter as mãos pelos pés" !

     I V
Na Alexandria de outrora
nasce linda "estrela d'alva"
que aprenderá -- sem demora --
as lições que o pai lhe dava
e êle vai vendo a melhora
da menina que ensinava.

     V
Século 4 desponta...
nasce a bela HIPATIA,
perita em astros e contas,
também em Filosofia.
Aos 20 anos 'tá pronta:
é mestra em Astronomia !

      V I
Recebe nobres visitas,
o seu nome é consagrado.
A ninguém ela critica,
trata todos com cuidado,
com seus deuses não implica
nem nenhum é questionado.

     V I I
Na Ágora -- biblioteca --
a jovem também ensina...
cada doutor dessa época
a audácia dela lastima !
Tomava o lugar -- sapeca --
dos homens a tal menina.

      V I I I
Virou ódio tanta inveja
e até o Bispo Cirilo
que, ser dela, amante almeja
não aguenta mais aquilo !
Mal que não mata, aleja...
pensou modos de ferí-la !

      I X
Esta mestra era prendada,
matemática, cientista.
Por muitos bem visitada,
com gente a perder de vista...
a vingança era arriscada
mas tinha bom plano em vista !

       X
Foi 1000 e cem anos antes
que o tal Kepler descobrisse
que era o Sol mais importante,
velhas teorias revisse.
Dizia ela, confiante,
isso... como quem predisse !

      X I
Não era a Terra o centro
e, mudando o Catecismo,
com firmeza cem por cento
definiu o "Heliocentrismo".
A Igreja tremeu por dentro...
isso era um cataclismo !

      X I I
Começou-se a difamá-la
e o Bispo fez seu papel...
propoz até batizá-la,
torná-la cristã fiel.
Se ela ousasse recusá-la
o castigo era cruel !

     X I I I
Pois se declarou agnóstica,
não aceitava a Trindade
de religião pernóstica...
Ciência era verdade !
Não adotaria a ótica
de homens cheios de maldade.

     X I V
Era a moça cobiçada,
aos 30 estava virgem...
por 3 homens desejada,
alunos tinham vertigem.
Um, que a febre "devorava"...
-- por lhe amar -- era a "origem" !

     X V
Alunos a renegaram,
Davo, o servo, a denunciou.
Como atéia lhe apontaram,
ela nem sequer negou.
Pra ser crista lhe cobraram...
a isso ela renunciou !

      X V I
Não houve sequer processo...
um dia foi arrastada
da praça, por um possesso,
comandando a "empreitada"
que o tal Bispo, com sucesso
tinha, há tempo, aequitetada.

     X V I I
-- "Vocês, homens, não serão
donos do meu pensamento
e nem sequer mandarão
em um só dos sentimentos
que trago no coração,
pouco importa o sofrimento" !

    X V I I I
A deixaram toda nua
e profanaram seu corpo...
esquartejada na rua
por gente pior que porco.
Fanatismo não recua...
a Intolerância tampouco !

      X I X
Vão-se os tempos, tudo passa,
Religiões vão pregando...
felicidade e desgraça
bem juntinhas vão marchando !
Queira Deus que a humana raça
tais erros vá evitando.

     X X
Lá da antiga Alexandria
nos vem exemplo maior:
a coragem da HIPATIA
torna a Ciência melhor,
alertando -- a cada dia --
que é o nosso Destino um só !
      "NATO" AZEVEDO
     (9/julho 2018, 21hs)
OBS: baseado no texto "HIPATIA -
linchada por pensar", de DOLORES
LARA, revista "La Aventura de la
HISTORIA", nº 131, set./2009, edit.
por Grupo Unidad Editorial SLU,
Madrid / ESPANHA.
(*1) "PAGÕES" - o têrmo correto é
 PAGÃOS... algumas palavras per-
mitem 2 ou 3 formas diferentes.
O imperador TEODÓSIO II mandou
investigar os fatos mas um certo
Edésio foi subornado e não encontrou
culpados.

NATO AZEVEDO
Enviado por NATO AZEVEDO em 10/07/2018
Reeditado em 14/07/2018
Código do texto: T6386423
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
NATO AZEVEDO
Ananindeua - Pará - Brasil, 66 anos
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NATO AZEVEDO