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Sansão

Num tempo distante,
Um homem de Zorá.
Da família dos danitas,
Cujo o nome é Manoá,
Sua esposa por ser estéril,
Não podia engravidar.

Porém num certo dia,
Um anjo apareceu,
Pra mulher de Manoá,
E assim lhe prometeu:
– Um filho há de ter
Pois é a vontade de Deus.

– Não lhe o corte o cabelo,
Pois ele será nazireu,
Não beba cachaça nem vinho,
Pois seu poder virá de Deus,
E ele livrará Israel,
Das mãos dos filisteus.

Depois disso a mulher,
Foi contar a Manoá,
Ele prostrou-se por terra
E começou a glorificar:
– Deus seja louvado,
Pois irá nos libertar!

Com o tempo a mulher,
Deu luz a um varão,
Ele foi circuncidado,
E foi chamado de Sansão,
O menino crescia forte,
E com muita disposição.

Mais tarde já adulto,
Conheceu uma filisteia,
Ele disse aos seus pais:
– Vou casar-me com ela.
Seus pais, porém não gostaram,
Nem um pouco da ideia.

Certo dia enquanto andava,
Em meio as serrapilheiras,
Sansão viu um leão,
Nos trilhos das parreiras,
O leão comia mel,
Debaixo da tamareira.

Foi ter com o leão,
E começaram a dançar,
Sansão girava pra cá...
O leão girava pra lá...
Sansão comeu mel,
E rompeu pro o seu lugar.

Sansão deu um festejo,
Aos homens do lugar,
Sansão pegou e disse:
– Ouça o que vou lhes contar!
Pois se trata de um enigma,
Para assim solucionar.

– Pois então conte ligeiro,
Pois queremos muito saber.
Sansão por sua vez,
Começou a dizer:
– Daquele que come,
Sai o de comer.

– Se resolverem o enigma,
Veja o que vou lhes dar,
Trinta mudas de roupas,
É o que vou lhes pagar,
E terão sete dias,
Pra o enigma desvendar.

Sansão continuou dizendo:
– Mas escute então por fim,
Se não desvendarem o enigma,
O acordo será assim,
As trinta mudas de roupas,
Vocês que pagarão pra mim!

Passaram-se três dias,
E não acharam a solução,
Foram ter com a mulher,
A esposa de Sansão,
E a forçaram a descobrir,
O Enigma dele senão?!...

A mulher de Sansão,
Foi com ele contender:
– Propôs um enigma ao povo,
Más não me deu a saber?
Agora por tua causa,
Eu terei de morrer!

– Que conversa é essa?
Nem aos meus pais dei a saber!
Por que então revelaria,
O enigma para você?
E não faltam quatro dias,
Pra o enigma responder?

Mas a mulher chorou tanto,
Abufelando-lhe o juízo,
Sansão aporrinhado da vida:
– Pare logo com isso!
Pois vou lhe contar tudo,
Mas guarde segredo disso!

A mulher na mesma hora,
Contou tudinho então,
Assim mandaram chamá-lo,
E responderam a Sansão:
– O que é mais doce que o mel?
E mais forte que o leão?...

Sansão, porém sabia,
Que sua mulher tinha contado,
Só desvendaram o enigma,
Por que o  havia logrado,
– Mas deixe estar, por isso não,
Pois o troco será dobrado!

O espírito do Deus Altíssimo,
Tornou-se ativo em Sansão,
E trinta homens do Vale.
Ele abateu só com as mãos,
Com suas roupas quitou a dívida,
Pois não era besta, não.

Depois de algum tempo,
Nos dias da sega do trigo,
Sansão foi visitar sua mulher,
Levando-lhe um cabrito,
Mas seu pai não permitiu,
Temendo algum perigo.

Sansão com fogo em venta,
Começou a exclamar:
– Não vai ficar assim,
Pois hão de me pagar!
Que direito você tem?
De mulher me tomar!

Pegou trezentas raposas,
Em duas em duas as atrelaram,
Amarrou tochas de fogo,
Em suas caudas e as soltaram,
Bem nos campos dos filisteus,
E dos roçados nada sobraram.

A labareda lambeu foi tudo,
Campos inteiros de ceareis,
Consumiu todo o vinhedo,
A cevada e os olivais,
Não restou uma coivara,
Só borralho e nada mais.

Os filisteus ao perceberem,
A bagaça da destruição,
Exclamaram em grande ira:
– Isso é obra de Sansão!
E Sansão por sua vez,
Foi ao o rochedo de Etão.

Os filisteus então subiram,
Ao acampamento de Judá,
E ameaçaram o povo dizendo:
– Já sabem o que viemos buscar?
Pois tragam ligeiro, Sansão,
Ou é vocês que irão pagar!

– Por que querem prendê-lo?
O que fez ele por lá?
– Escute ó todos vocês!
E logo entenderá!
Sansão é um criminoso,
De todos o pior que há!

Três mil homens de Judá,
Foram ao rochedo de Etão,
Pois sabiam que era ali,
Que se escondia Sansão,
Ao verem ele deitado,
Exclamaram pois então:

– Os filisteu nos domina,
Por que nos trouxe calamidade?
Toma tino, homem de Deus!
Ou perdeu a sanidade?
Agora viemos levá-lo,
A fim de salvar a cidade.

Sem bater pestana,
Sansão exclamou assim:
– O que eu fiz a eles,
É menos que fizeram a mim!
E se querem me pegar,
Pois que venha estou aqui!

Sansão armou-se então,
Com uma queixada de jumento,
Mandou ela pra cima,
E um a um foi abatendo,
Foi um saldo de um milheiro,
Os que caíram no momento.

Sansão ficou temido,
E honrado desde então.
O povo exclamava:
– Eis o nosso campeão!
– Têm ossos de aroeira!
– É mais forte que leão!

Porém alguns diziam:
– É mulherengo demais!
Não pode com um rabo de saia,
Que sai piançando atrás!
Não sabendo que era tudo,
Um ardil e nada mais.

Depois disso, Sansão,
Foi pra cidade de gaza,
Viu ali uma prostituta,
E entrou na sua casa,
Lhe fez um cozido,
Enquanto ele descansava.

A mulher sem perder tempo,
Contou ao mundo inteiro:
– Sansão está lá em casa,
Pernoitando no meu celeiro,
É só se apressarem,
E vão pegá-lo ligeiro!

Os gazitas ao saber disso,
Montaram a emboscada,
Fecharam todos os cantos,
As saídas e as entradas,
Enquanto vários outros,
Ficaram na retaguarda.

Por volta da meia-noite,
Despertou-se então Sansão,
Espiou pela janela,
E teve uma má sensação,
Foi para os fundos da casa,
E arrancou o portão.

Saiu carregando nas costas,
O imenso e pesado portão,
Com portais, trancas e tudo,
Subiu o monte então,
E conheceu outra mulher,
Que cativou seu coração.

Seu nome era Dalila,
Mulher formosa e bela,
Sansão ficou assim,
Apaixonado por ela,
Não sabendo do estorvo,
Que ia ter com donzela.

Os senhores dos filisteus,
Ao saberem de tudo isso,
Viram a oportunidade,
De usá-la a seus serviços
valer-se do encanto da moça,
Pra vencer o inimigo.

Chamaram então Dalila,
E puseram lhe a dizer:
– Queremos que logre Sansão,
De onde vem seu poder,
E mil e cem moedas de prata,
De cada um vai receber.

Depois disso Dalila,
Começou a bajular Sansão:
– De onde vem tua força?
E a tua determinação?
Declara-me deveras,
E terás meu coração.

– Se com sete tendões,
Frescos e nunca usados,
Se com eles me atarem,
Eu hei de ser dominado,
Pois igual a qualquer homem,
Terei assim me tornado.

Em posse dos tendões,
Dalila amarrou suas mãos,
Pôs-se então a gritar:
– Olha os filisteus, Sansão!
Mas os tendões se romperam,
Como um fino cordão.

Dalila indignada:
– Você fez foi me enganar!
Os sete tendões novos,
Não foi capaz de o segurar,
Pois caminha, diga ligeiro,
O que pode te dominar?

Sansão pegou e disse:
– Tá bom, vou te contar.
Se com uma corda nova,
E com ela me amarrar,
Com certeza os filisteus,
Poderão me dominar.

Dalila pegou a corda,
Atou seus braços e mãos,
Pôr-se então a gritar:
– Olha os filisteus, Sansão!
Mas as cordas se romperam,
Como chumaço de algodão.

Dalila pegou e disse:
– Você não me ama, não!
Até agora me enganastes,
Só dizendo embromação.
Sansão pegou e disse:
– Tá bom, preste atenção.

– Se tecerem minhas tranças,
Com a urdidura de tear,
Com certeza as minhas forças,
Irão me abandonar,
E os filisteus por sua vez,
Poderão me dominar.

Dalila então de posse,
Dos dos fios da urdidura,
Amarrou assim Sansão,
E simulou uma por ventura,
Mas os fios se quebraram,
Como linha de costura.

Dalila diante disso,
Pôs-se então a chorar:
– Você diz que me ama,
Mas deve mesmo é me odiar,
Pois não abre seu coração,
Só querendo me magoar.

A todo o dia, e toda hora,
Dalila atormentava Sansão,
Ele já de cabeça quente,
Com tanta pertubação,
Contou tudo pra ela,
Abrindo o seu coração:

– Antes mesmo de nascer,
Apareceu um anjo de Deus,
Ele anunciou aos meus pais,
Que eu seria nazireu,
E que livraria Israel,
Das mãos dos filisteus.

– Por isso os meus cabelos,
Jamais foram cortados,
Nem tesoura, nem navalha,
Nunca nele foi passado,
Pois se isso acontecesse,
Eu ficaria enfastiado.

“Desta vez”, pensou Dalila,
“Não há embromação”,
Foi ao eixo dos filisteus:
– Vocês agora o pegarão,
Pois me abriu desta vez,
Todo o seu coração.

Dalila aninhou Sansão,
Bem entre os seus joelhos,
Assim que ele dormiu,
Mandou chamar o barbeiro,
E ele lhe cortou assim,
As tranças do seu cabelo.

Assim que fizeram a tosa,
Dos cabelos dele então,
Dalila pôs-se a gritar:
– Olha os filisteus, Sansão!
Que desta vez foi dominado,
Pois não tinha reação.

– Ué, cadê minha força?!
O que é isso, meu irmão?
Furaram-lhe os seus olhos,
E grilhões nas suas mãos,
Sansão ia ser moedor,
Lá na casa da prisão.

O povo ao ver sansão,
Levado pelos filisteus,
Amuado e capiongo,
Clamaram assim a Deus:
– Oh, Senhor, livre Sansão,
Das mão desses ateus!

Mas com o tempo os cabelos,
De Sansão foram crescendo,
E pouco a pouco as suas forças,
Foi se restabelecendo,
– E sabe o que aconteceu?
Pois espia só, vai vendo!

Os filisteus deram uma festa,
Pois queriam oferecer,
Um sacrifício a Dagom,
E começaram a dizer:
– Traga aqui Sansão,
Para ele nos entreter!

Assim que apareceu,
Foi aquela azuação:
– Cadê sua força agora?
Você não é o valentão!
Com vaias e toda sorte,
De esculhambação.

Sansão disse ao menino,
Que lhe segurava a mão:
– Ponha-me entre as colunas,
Que dão a sustentação,
Sansão clamou a Deus,
Por meio de uma oração:

– Oh, soberano Deus, Javé,
Deus de Isaque, Jacó, Abraão,
Dê-me forças mais uma vez,
E fortaleça as minhas mãos,
Que me vingue diante,
Desta geração!

Sansão com grande força,
Começou a empurrar,
As colunas do grande templo,
Começaram a saculejar,
E foi àquela correria,
De gente pra todo lugar.

Foi aquele fuzuê!
Um verdadeiro escarcéu,
As colunas foram cedendo,
– Valei meu Deus do céu!
E todos os que estavam ali,
Foram pro beleléu.

De modo que os mortos,
Que morreram na ocasião,
Foram mais dos que caíram,
Em toda a vida de Sansão,
E foram aos escombros,
Buscar seu corpo então.

Transportaram o seu corpo,
Para o monte de Zorá,
Onde já estava enterrado,
Também seu pai, Manoá.
Ali sepultaram Sansão,
Com o povo a lamentar.

A história de Sansão,
Ficou assim perpetuada,
Nas páginas da Bíblia,
De um homem que andava,
Com grande fé em Deus,
E descansou de sua jornada.



João Terranova
Enviado por João Terranova em 14/09/2020
Código do texto: T7063308
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Sobre o autor
João Terranova
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 48 anos
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João Terranova