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LIGUE O FODA-SE E SEJA FELIZ

A caminho dos 46 anos, creio que já tenho mais que suficiente tempo de quilometragem  para saber o que quero e o que  não quero. Parece-me mais do que tempo de sobra pra ver com clareza o que me serve e o que não me serve. Pela graça de Deus ou porque criei vergonha na cara já não tenho mais paciência  (isso pra dizer o mínimo) pra ir dormir com um desaforo no travesseiro, muito embora eu às vezes deixe estrategicamente pra devolvê-lo quando for mais conveniente e produtivo para mim. Neste caso, retiro o travesseiro do lado por las dudas, para que o dito desaforo não decida alojar-se sem permissão até o momento da cobrança de pênaltis.

                Já não tenho mais saco pra ficar tentando solucionar o que não me compete e o que é meu, se não posso solucionar, bom pro meu analista que vai levar uma boa grana pra resolver a coisa. Já não tenho mais vontade nenhuma de brincar de vida porque a vida pode até ser uma brincadeira, mas é a gente que decide se vai brincar ou se é hora de trabalhar a sério. Não aturo mais gracinhas de quem não tem nada pra fazer e decide querer fazer em cima da minha santa cabecinha. Tenho que matar mais que um leão por dia porque senão quem  vira refeição do bicho sou eu. Sorte que pelo menos os astros dizem que sou de escorpião: o bicho é pequeno mas a picada é fatal.

                Já não lamento mais que o dia tenha 24 horas quando eu necessitaria pelo menos 72 pra lidar com filho que precisa de atenção, trabalho que não pode parar, o dentista com sua conta estratosférica e, por falar nisso, uma pilha de contas a pagar que parece multiplicar-se de um segundo para outro. É a família que tem seus pepinos, como toda família tem, é o vizinho que enche o saco com uma música de qualidade duvidosa num volume pra lá de certeiro pra estourar meus ouvidos;  é a conta bancária sofrendo de hemorragia crônica, é ter que lidar com a falta de habilidade dos outros com nossos sentimentos, é ter que lidar com nossas próprias fragilidades  e neguinho batendo pesado porque a gente tem cara de fortaleza inexpugnável pelo simples fato de querer ser honesta e não posar de vítima, é quem não sabe o que quer e decide querer que a gente queira no lugar deles. Enfim, meus amigos, esta vida é mesmo um manicômio ou um campo de batalha.

                Sinto. Se  no alto de toda esta quilometragem rodada, euzinha aqui for tentar resolver e solucionar tudo ou sequer tentar, alguém terá que recolher meus escombros. Assim sendo, pode até parecer egoísta, pressiono a tecla FDS e  vou aceitando o colinho que me oferecem em troca de uns mimos e o resto que vá a reverendíssima merda, como diz um amigo muy bueno que conheci aqui entre los hermanitos.

                Ah! Nem adianta me dizer que estou mal humorada. Estou é puta da vida.











www.deboradenadai.prosaeverso.net

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/09/2008
Código do texto: T1180824

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai