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AMOR TERMINADO, MA NON TROPPO

         Já faz tempo que (infelizmente) não acredito em Papai Noel. Fadinhas, talvez, quem sabe. Há muito que, nem que Jesus me chicoteie, eu consigo acreditar que se eu mexer com fogo vou fazer xixi na cama. No máximo, vou me queimar, que é o possível e provável, dado que sou pra lá de desastrada. Então, vamos combinar que amor que acabou, tem que estar acabado, enterrado com direito a epitáfios e todo o cerimonial peculiar. Amor terminado não é pra deixar rastro. Senão, vejamos: não se pode mais nem olhar na cara (seja por bronca, mágoa ou porque alguma faísca fica acendendo sem permissão), tem que ir pro outro lado da rua ou, por outro lado, fica guardando um museu de recuerdos que, com licença, não combina nadinha com a palavra "fim", já que museus e caixinhas de cartas, bilhetes e assemelhados se aplicam mais as palavras "nunca se esqueça".

        Amor terminado terminou. Finou-se, foi passear no além com passagem só de ida. A gente, dependendo do caso, até senta junto e toma umas e nem sequer se lembra que a criatura algum dia foi mais que um amigo ou, se lembra,esquece logo depois do primeiro trago. Amor terminado senta com o outro e discute qualquer coisa, menos relação. Amor terminado, em alguns casos, recebe um cordial "bom dia" , nada efusivo, muito educado e polidamente correto. Amor terminado encerrou o livro, sem direito a Parte II. Não é fim de capítulo, é fim de história.

       Amor terminado foi devidamente mastigado, digerido, com direito a um café no final da refeição. Deglutido, engolido, não é terminado. No máximo, é mal resolvido, mal encerrado, mal tudo que se possa dizer. E muito provavelmente mal vivido. E aí vem a parte difícil da história: voce pode até achar que terminou, mas o amor meu amigo, só foi varrido (e mal varrido) pra debaixo do tapete. Deixa macaquinhos no sótão e, lamento, eles fazem miséria na sua santa cabecinha.

      Amor terminado fecha a porta e não olha pra trás. Não tenta reviver o que já se foi, não corre atrás da água que passou sob a ponte. Se não for assim,é terminado, ma non troppo...


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Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/11/2008
Código do texto: T1303088

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai