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Rose

Nasceu rosa. Rosinha, mas já era Rose.
E eu me apaixonei. Logo que a vi. Tão pequenina, cabeluda, olhão – menina cor de rosa. E assim seguiram-se os anos.

Aos quatro anos, sentei-me no chão de uma loja bacana só pra encontrar o vestido mais adequado. Aquele rosa e azul, com penduricalhos, com a melissinha que ficava simplesmente linda!
Aos seis anos, para a festa de aniversário, acabei com meus dedos fazendo os enfeites para a festa e as lembrancinhas.
Aos sete pedi para os irmãos mais velhos a queimarem numa fogueira. Lógico que da fogueira só restavam as cinzas, e eu ri muito.
Teve aquele dia em que escolhíamos árvores com as quais queríamos parecer, e ela, com toda sua inocência, vira para mim e pergunta qual seria ela – aponto para a gramínea  e digo que lá está ela. Chora, esperneia, mas não passa de gramínea.

Hoje, árvore frondosa, já com sua gramínea nos braços, que como ela, também é cor de rosa, cria asas, levanta vôo e lá se vai para longe. Para bem longe. Além do mar, nas terras baixas, onde os moinhos fazem sonho, fazer sua história. E, aqui fico eu, a ver minha doce gramínea partir, com o coração nos olhos, a brotar, a brotar...

E me pego a pensar – quem foi que disse que é preciso ter filhos pra sofrer, pra sorrir, pra sentir saudades, pra saber que uma parte de si vai embora no dia em que a sobrinha querida de asas abertas, vai p’ro outro lado do mundo?
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 14/01/2009
Código do texto: T1384482
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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Fátima Batista