GERAÇÃO CAMISINHA

Em uma invulgar carreira esculpida por erros e acertos, Gilio de Hollanda - o Poeta suburbano, semeia, na seara do cotidiano, exóticas pérolas capaz de causar furor uterino na mente do leitor.

Poeta contemplativo faz da sua enigmática trilha, per si, caprichosamente desapercebida do olhar ausente da rotina, um culto a temática do óbvio.

Personagem de passado obscurecido por direito de opção, em um encontro inenarrável sentenciou:

Sou subproduto do meio; uma inegável promessa da geração camisinha.

Fruto do pecado e do pecado pecador arrependido; mas, sem tempo ou talento para conversão.

De todas as verdades que nunca escrevi, só grafo a certeza de que: jogar no luxo do lixo o produto da paixão; é tão pecaminoso quanto trancafiar na gaveta o gozo de uma mente fertilizada pelo ócio do anonimato.

Sei que, como escravo da mortalidade devo partir. Já não dá para ficar ou virar semente. Quando o desencanto abriu uma fresta no coração deixou a porta entreaberta por onde a vida se esvai.

Além dos meus escritos não trago ou deixarei heranças ou herdeiros. Vivo a camisar tesão e, aqui acolá a engravidar tola emoção.

Tudo que cozi merece ser, aos bons bocados, consumido. Mas se o texto for proibido, tenha certeza que neste alimento guardarei o verso mais nutritivo.

Antonio Virgilio Andrade
Enviado por Antonio Virgilio Andrade em 03/05/2006
Código do texto: T149650