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Sobre a morte

Hoje amanheci feliz. Mas hão de perguntar? E nos outros dias não?E para responder essa questão, tenho que aceitar que na maioria das vezes acordamos assim, felizes. Só que hoje essa felicidade me surpreendeu, pois pensei na morte. Não em pessoas que já se foram, mas na morte como modo de vida. A morte é uma coisa viva, que faz parte em todos os momentos do nosso cotidiano. Não deveria ser apenas lembrada quando alguém que gostamos ou que conhecemos deixa de ter suas funções vitais paralisadas. Mas como um evento, fato extraordinário e que sendo melhor analisado, poderia nos tornar feliz. Claro que quanto mais a vida segue seu ciclo, menos a morte é sentida. Se numa família, morre os mais velhos numa seqüência natural, ela é mais compreensível. Quando estamos acompanhando um ente querido que  passe por momentos difíceis de saúde e esse ente se vai, a morte se torna mais compreensível, embora mais dolorosa para quem se vai. Se a morte nos pega de surpresa é melhor para quem se vai, pois deve não sentir quase nada antes de ir. Porém para quem continua na vida, é muito dolorido e às vezes inaceitável.
O importante é tentarmos compreender a morte como se ela fosse nossa vida. Quanto mais estivermos capacitados para entendê-la, mais ela se torna natural, pois independente de queremos ou não, aceitarmos ou não,  ela é uma das coisas mais certas que temos na vida. Se pensarmos bem, não temos como vislumbrar a vida, no sentido de ela existir ou não.Mas temos como afirmar que a morte virá. Sem medo de errarmos, todos nós vamos morrer e quanto  mais tivermos essa consciência, mas tranqüila será sua chegada.
Só pensamos na morte quando ela aparece, e envolvendo pessoas próximas de nós, onde os sentimentos floram muito e são penosos quando são envolvidos pela perda.
Quantas vezes escutamos,” para morrer basta estarmos vivos”.Isto dito sem a presença da morte envolvendo pessoas queridas, é extremamente profundo e sensato, mas pouco sentido.Agora quando a emoção domina pela perda de alguém importante em nossa vida, essa verdade se torna choros, depressões, gritos,muitas lágrimas.
Se levarmos ao sentido natural da morte, todos os dias ocorrem fenômenos que nos sinalizam que ela se verifica, acontece. Uma flor que murcha. Um cabelo que é cortado. Um animal que é perdido e nunca mais se encontra. Um relacionamento que acaba. Um emprego que se perde. Um dia que se passa. Uma noite que amanhece. Tudo isso são mortes que ocorrem e que também nos deixam tristes.
Sei que falar sobre a morte, senti-la, entendermos como ela se processa e quais suas conseqüências não são tarefas simples, mas quanto mais estivermos felizes para realizá-las a morte será cada vez mais aceita e estaremos mais preparados para recebê-la.Enfim viva a vida e também a morte.
José Mário Fernandes
Enviado por José Mário Fernandes em 16/06/2009
Reeditado em 25/06/2009
Código do texto: T1652400

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Sobre o autor
José Mário Fernandes
Cabedelo - Paraíba - Brasil
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José Mário Fernandes