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Quem quiser  que diga que criança não  lembra de nada.

Lembro e muito bem daquele dia.  O calor esquentando todo aquele  ambiente  fechado de  clube, eu dada as mãos a  um menino que de repente mamãe disse que ia criar (filho de um empregado,  mas que depois de  um tempo ele veio buscar) e à minha irmã mais velha. O pior de tudo não era bem o calor,  o barulho das músicas de carnaval, o bando de gente e a vontade de ir pra casa. O pior de tudo era estar fantasiada de índia, com as desgraçadas das  penas  me furando o tempo todo.  Ainda pedia pra sorrir! É mole? Tenho essa foto por aí,  vou procurar pra provar que foi verdade.

Mãe às vezes deveria tomar um  chazinho de "se mancol" e ficar no lugar dos seus amados filhinhos, caso  contrário o pobrezinho pode  ficar traumatizado pelo resto da vida. Olha que eu só tinha 3 aninhos e lembro-me perfeitamente do dia, cada detalhe daquele terror!

Lembrei-me deste fato quando fui ao colégio de meu filho ver o  bloco e as apresentações carnavalescas. Alguns pirralhos  entraram na quadra  em pânico,  com os olhos cheios d'gua e um bocão que passei longe pra não ser  engolida. As professoras puxando  como "se nada tivesse acontecendo" e os pais insistentemente esperando um riso dos coitadinhos para tirarem uma foto! Meu Deus, que maldade,  pensei eu, ficarão traumatizados como  eu!

É muito desconfortável a situação. Quando cachorro empanca o  dono entende.  Mas o filho empanca, chora, grita e ninguém se toca? Tudo pela  satisfação de vê-los  participar de um evento  que na verdade só valeria à pena se a criaturinha estivesse curtinho, como muitos que vi por lá, que cantavam,  dançavam e demonstravam alegria.

É importante valorizarmos nossa cultura e tentarmos passar isso para nossos filhos, mas não creio que esta seja a melhor  maneira, não quando ele visivelmente não está nada satisfeito!

O negócio  é tão traumatizante que este é um dos únicos fatos que me lembro de  quando tinha 3 anos, o  outro foi quando voei pela janela do carro (estava na frente e de pé) e fui parar embaixo de outro, num acidente  com minha mãe e meus irmãos. Mas esse,  pelo menos só lembro de  quando estava no  hospital e das escoriações, pois fiquei em estado  de choque. Pelo visto, foram dois grandes traumas  em  minha vida, sendo um consciente e outro não.

Por favor, mamães e  papais,  prestem atenção  na carinha do seu filhinho quando forem obrigados a participarem desses eventos, ainda vão  passar por muitos traumas na vida, mas poupe-os destes,  tão desnecessários.

(Taciana Valença)
TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 13/02/2010
Reeditado em 13/02/2010
Código do texto: T2086128

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Sobre a autora
TACIANA VALENÇA
Recife - Pernambuco - Brasil
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TACIANA VALENÇA