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SEU JONAS E SEU BODE

Seu Jonas tinha um bode. Sim, um bode. Um bode é um bode e somente um bode pode saber o que é ser um bode. Mas Seu Jonas achava que sabia como era ser um bode.

Tratava o bicho como bicho de estimação. O seu bode só comia ração (ração prá bode) e só bebia água de poço. E poço que o Seu Jonas conhecia.

Tudo na vida do Seu Jonas era em torno do seu bode. Seu Jonas acordava e a primeira coisa que fazia era dar bom dia pro seu bode. Como Seu Jonas achava que sabia como era ser um bode, o bode respondia e Seu Jonas entendia. Bom dia!

Passavam a manhã juntos. Na colina, no gramado, no terreno cheio de pedras. Seu Jonas contava pro seu bode o quanto era feliz e o quanto seu bode fazia diferença nessa felicidade toda.

Seu Jonas tinha uma barbicha. Barbicha de bode. Não aparava, mas a mantinha livre dos piolhos. Assim como mantinha a barbicha do seu bode sem piolhos também. Aliás, o bode tinha seu couro tratado diariamente para evitar esse tipo de aborrecimento. Piolhos.

Tomava sol, ficava longe da chuva e no inverno, dormia dentro de casa. No verão, Seu Jonas dormia no quintal, com o bode ao seu lado, contando estrelas.

Seu Jonas almoçava sentado no chão enquanto seu bode descansava e suspirava ao seu lado.

Todas as tardes, Seu Jonas e seu bode corriam como atletas. Subiam montanhas e escalavam como profissionais. O bode do Seu Jonas era ótimo nas decidas. Chegava na base (da montanha) sempre antes do Seu Jonas e ficava esperando, como um bom bode de estimação.

Seu Jonas não tinha filhos ou parceira. Tinha seu bode...

Seu Jonas e Seu Bode. Dois senhores de olhar perdido no topo da colina.
Rafael Zanette
Enviado por Rafael Zanette em 16/06/2005
Reeditado em 26/06/2005
Código do texto: T24987


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Sobre o autor
Rafael Zanette
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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Rafael Zanette