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O Naná de menininhas

Pais de primeira viagem muitas vezes não sabem que manter certos condicionamentos facilita a rotina com os bebês. Horários de banho, alimentação, passeio e soneca quando seguidos, facilitam a vida dos adultos que cuidam dos pequenos. Eles ficam disciplinados e naquele momento do dia ficam esperando determinada atividade. Se o almoço ou o lanche atrasa- eles reclamam, mas saber que depois do almoço tem um tempo para um soninho proporciona para a mãe ou quem cuida do pequeno um momento de descanso.

Outros condicionamentos nós fazemos mesmo sem querer, como a chupeta quando eles choram ou brinquedo para distraí-los e o colo para acalmá-los. Alguns pais, além disso, usam uma fraldinha, ou paninho para cobrir o rosto dos filhos na hora de dormir. Sacodem, embalam, cantam canções. É instintivo, quando a gente vê já está embalando.

E pais também falam de tudo que seus filhos fazem ou fizeram, é chato para quem não tem filho, para quem tem e ainda pequeno é inevitável. Acho que com os netos deve ser em dobro, ficamos mais bobos ainda, experiência que ainda não tive, porém já sei que vou adorar e quero gêmeos, netos gêmeos.

Quando meu filho era bebê, uma amiga do trabalho trocava muitas ideias comigo, ela tem um menino um pouco mais velho do que o meu e outro um pouquinho mais novo. Tínhamos muito do que falar. Ela usava o tal paninho no rosto do menor na hora em que ele ficava com sono e era tiro e queda, o guri dormia em seguida. Mas ele ficou muito apaixonado pelo tal paninho, que ele chamava de Naná e não queria largá-lo para nada. O Naná só não entrava no banho junto com ele porque depois ele sabia que teria que deixá-lo no varal um bom tempo para secar. Isso foi se tornando obsessivo, causando muitos transtornos para a família, como por exemplo, ter que voltar na metade de uma viagem para buscar o Naná que havia ficado em casa. Todas as tentativas foram feitas para dissuadi-lo, desde trocas, promessas, brinquedos novos e muito mais.

Em determinado momento o choro batia e só o Naná era capaz de acalmá-lo. A mãe aflita um dia aconselhou-se comigo, tinha tomado uma atitude radical, colocará o Naná fora, pois não tinha mais condições de higiene e o conflito estava formado, não sabia como enfrentar a noite com a falta do paninho. Aconselhei-a usar outro pano se fosse inevitável, mas que o melhor era enfrentar e quem sabe após umas noites de estresse tudo se resolvesse, afinal temos que aprender a lidar com perdas. Ela explicou que não era qualquer paninho, era o Naná de menininhas. Uma fralda estampada com criançinhas. A estampa não estava mais no mercado, em loja nenhuma, ninguém da família havia encontrado.

Então lembrei que eu tinha um pacote das fraldas estampadas que nós tínhamos comprado juntas, para usar na higiene dos nossos bebês. Ela ficou muito feliz e aceitou o pacote todo de presente. Como não houve negociação e a noite ela já estava cansada com as atividades do dia mais as tarefas que dois filhos pequenos proporcionam, lançou mão do Naná de menininhas sem nenhuma culpa.
A paz foi alcançada até o rapaz atingir maturidade suficiente para largar o paninho. Hoje ele é um rapaz normal, equilibrado e nem se lembra dessa história. Portanto pais relaxem. A vida tem dessas coisas.

Ana Mello
Enviado por Ana Mello em 16/11/2010
Código do texto: T2618494
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Sobre a autora
Ana Mello
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 58 anos
142 textos (25267 leituras)
2 e-livros (928 leituras)
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Ana Mello