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Desejos

Tem gente que não deseja nada, como pode isso? Perguntei para minha sogra que fez aniversário na sexta, o que ela gostaria de ganhar e ela respondeu que não estava precisando de nada. Eu entendo, na verdade eu também não estou precisando de nada, tudo que eu quero, ou quase tudo, eu posso comprar. Mas eu quero muito, muitas coisas, e adoro ganhar presentes, ser lembrada. Quem não ama uma gentileza? Minha lista é interminável, sempre quero um livro, umas canetinhas novas, uma flor, uma planta, uma sandália, uma bolsa, uns temperos, uma xícara, um vinho, essa lista não tem fim. Consumista demais, alguns diriam. Estou mais inclinada a pensar que é paixão mesmo, gostar, amar, olhar com bons olhos, é uma forma de alegria, de encarar a vida.

Tenho muito para agradecer, porém desejo muito e para todos. Quando uma pessoa comenta que está querendo um novo emprego, uma casa ou outra aspiração não tão simples de conseguir e pede que eu ajude torcendo por ela, orando ou simplesmente emitindo uma boa vibração, já ponho em prática na hora.

Os mais descrentes devem estar rindo, pensando que se fosse possível conseguir apenas desejando, já estariam ricos. Não é nada disso, uma série de fatores compactuam para a realização de nossas ambições e não cabe agora avaliar ou citar regras, cada um tem suas crenças. Por exemplo, eu acredito nos links da vida. Links são ligações entre as coisas que nos acontecem e que tem alguma utilidade sempre, se não for naquela hora, mais tarde a conexão será feita. É aquela máxima que soa até um pouco piegas – nada é por acaso.

Essa semana mesmo eu tinha uma consulta médica e esqueci os exames em casa, precisei pegar um táxi para não me atrasar. O motorista já começou um papo, ele disse que adora conversar porque é de graça e ajuda muito no crescimento pessoal trocar ideias, dar conselhos. Concordei prontamente, adoro uma boa conversa e as pessoas sabem disso só de me olhar, no ônibus, na lotação, na fila do cinema, na farmácia, em qualquer lugar. Aí um assunto puxa outro e a gente sempre aprende alguma coisa.

Este motorista do taxi que utilizei em Porto Alegre é morador de Cachoeirinha e já seguimos falando da cidade, dos trinta nos que trabalho lá, do quanto a cidade mudou nesse tempo. Já falei da minha coluna no Diário e ele prometeu ler, fiquei feliz com mais um leitor. Minha distração não foi em vão.

Links daqui e dali, pesquisando na internet  encontrei o seguinte: ...”Tradicionalmente, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não carecesse de nada não desejaria nada, seria um ser perfeito, um deus. Por isso Platão e os filósofos cristãos tomam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos.”

Conclusão - sou imperfeita e como na poesia do Drummond, Desejos: Desejo a vocês/Fruto do mato/Cheiro de jardim/Namoro no portão/Domingo sem chuva/Segunda sem mau humor/Sábado com seu amor/Filme do Carlitos/Chope com amigos/Crônica de Rubem Braga/Viver sem inimigos/Filme antigo na TV/Ter uma pessoa especial/.../ Ter fé em Deus/Não ter que ouvir a palavra não/Nem nunca, nem jamais e adeus./Rir como criança/Ouvir canto de passarinho./Sarar de resfriado/Escrever um poema de Amor/Que nunca será rasgado/Formar um par ideal/.../ Ter um ombro sempre amigo/Bater palmas de alegria/Uma tarde amena/Calçar um velho chinelo/.../ Bolero de Ravel/E muito carinho meu.
Ana Mello
Enviado por Ana Mello em 21/11/2010
Reeditado em 21/11/2010
Código do texto: T2629009
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Sobre a autora
Ana Mello
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 58 anos
142 textos (25271 leituras)
2 e-livros (928 leituras)
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Ana Mello