REVIVENDO...


Meu dia hoje está repleto de saudades daquelas que gostamos de sentir porque sem dúvida é uma saudade de momentos bons, do sabor inesquecível da comida da mamãe, do cheiro do engenho com todos aqueles trabalhadores a transformar a cana no mel, na rapadura, na garapa, no puxa-puxa, da criançada correndo por entre as muitas gamelas por onde seria derramado o mel, saudade da casa de farinha onde eram feitos bijus com coco e a gente os saboreava quentinhos, saudade de ouvir a mamãe a cantarolar enquanto pedalava a velha máquina de costura, ou a cada pincelada a fazer lindos trabalhos de pintura, ou ainda a fazer renda de bilros...

Nossa que saudade! É que comecei a arrumar gavetas coisa que faço sempre no último mês do ano para por fora o que não precisa mais ser guardado e aí, quase nada vai, já que cada cantinho das gavetas conserva uma recordação e assim vou cada vez mais colecionando lembranças que fazem com que se reviva momentos, como se de repente estivéssemos vendo um filme de tudo que já vivemos, com antigas fotos, antigas cartas, muitas mensagens lindas de boas festas que até dá vontade de fazer o tempo voltar se fosse possível, mas como não é em pensamentos a gente vai fazendo o caminho de volta.

Certamente não são só saudades boas de serem sentidas, pois mesmo acreditando que não morremos, apenas passamos para o andar de cima entristece-nos ter a certeza de que apenas em sonhos e através das inúmeras fotos, mensagens, etc., se pode estar junto dos que continuamos a amar até que chegue a nossa vez de reencontrá-los.

Ah! Saudade! Quanta saudade se tem do que sentir! Ainda bem que algumas delas nos fazem tão bem que fazemos de tudo para não esquecer, até fazemos questão de exercitá-la para que juntas possamos caminhar ainda por muitos e muitos anos e até levando em consideração que se pode plantá-la para que não deixe jamais de germinar, afinal o ontem vai estar sempre nas nossas vidas e dele só nos resta sentir saudades do que foi bom e de certa forma não esquecer os momentos que não deixaram boas recordações, mas que também fizerem e sempre farão parte da existência de todos nós.

Uma das recordações de infância é ouvir o canto das rolinhas, do bem- ti- vi que nos leva de volta ao passado, já que o papai tinha viveiros enormes quase que todo o quintal de tela, naquela época não era proibido pela lei se criar aves em cativeiro e o papai tinha canários belga, galo campina, sabiá, graúna e tantos outros que nem lembro-me o nome de alguns lembro-me do papai fazendo os ninhos de corda com tanto carinho para quando nascessem os filhotes; são lembranças que eu adoro guardar daquela vidinha até mais ou menos! E hoje vendo antigas fotos vêm na lembrança tantos momentos que até esqueço que estou no presente e nada daquilo existe mais a não ser nas recordações e na presença da saudade que só é amenizada pelo tempo, por isso não dói senti-la, pelo contrário faço questão de conservá-la.


Brasília, 05/12/2010