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Mulheres no ônibus

Incrível o que as mulheres fazem no ônibus, ainda mais bem cedo, quando estão indo para o trabalho. Ninguém me contou eu vi e confesso que fico entre surpresa e envergonhada porque acho algumas coisas muito íntimas para fazer em público. Acho que sou um pouco conservadora neste aspecto, por exemplo, não me sinto a vontade para comer no ônibus, primeiro porque acho anti-higiênico, depois não é educado porque outras pessoas podem estar com fome também e por fim podemos sujar as mãos, boca e o próprio assento.

Claro que tenho que levar em consideração que as pessoas trabalham, estudam, vivem na correria e este horário de transporte talvez seja o único horário disponível para um lanche.

Com as mulheres acontece assim, elas não conseguem fazer a maquiagem em casa e fazem no ônibus. Algumas seguem um ritual e não interrompem por nada. Ontem mesmo entrou uma moça no ônibus em que eu estava. Cabelos ainda molhados. Sentou, abriu a bolsa, tirou uma bolsinha toda enfeitada com produtos de beleza. Primeiro colocou perfume em spray, nos pulsos, pescoço e nuca. O aroma espalhou-se pelo coletivo, alguns espirraram, felizmente era muito bom. Depois um creme para o rosto, outro para a região dos olhos, um batom e o rímel. Nessa hora achei que ela ia furar um dos olhos, mas não, foi precisa e rápida. Desceu três paradas após entrar, completamente diferente, bonita e perfumada. A fragrância seguiu viagem ainda por muitas paradas.

Já vi algumas colocarem até sombra, em dois tons, coisa bem complicada. Isso não é privilégio só das passageiras dos ônibus, se você parar em uma sinaleira e olhar para outras mulheres nos carros ao lado, verá sempre alguém passando um batonzinho ou dando uma ajeitada nas madeixas.

Mulheres também falam muito nos celulares, não só quando estão dirigindo, o que dá multa e pontos na carteira além de ser muito perigoso. No ônibus dá até conversa cruzada, é uma gritando com o filho no banco da frente, outra conversando com a amiga no banco de trás. Todo mundo participa, todo mundo fica sabendo de tudo e elas não tem a mínima preocupação. Se bem que isso já virou rotina, as pessoas falam em qualquer lugar ao celular sem a menor cerimônia ou constrangimento.

Mas voltando a maquiagem e ao ônibus. Lado a lado duas gurias passavam batom, nisso uma olha de cantinho para o batom da outra e diz:
- Aí que linda essa tua cor.
Juro que a cor das duas era igual.
A outra disse obrigada e já foi dizendo a marca e o número da cor.
- Hum!  Respondeu ela, fingindo desinteresse.
Aí em momento único e exclusivo ela sacou da bolsinha de bolinhas rosa um esmalte da mesma cor do batom e começou a pintar as unhas.
Não sei o que foi mais surpreendente, a inveja da menina ao lado ou a minha admiração com a destreza que ela pintava sem borrar.

Ana Mello
Enviado por Ana Mello em 15/12/2010
Código do texto: T2673456
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Sobre a autora
Ana Mello
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 58 anos
142 textos (25275 leituras)
2 e-livros (929 leituras)
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Ana Mello