A SÍNDROME DO PLANETA DOS MACACOS

Por causa das facilidades da internet, recentemente assisti a série de cinco longas-metragens de título O Planeta dos Macacos, produzidos entre 1970 e 1975. A última vez que fiquei sabendo da exibição dessa série foi por volta dos anos de 1986/87. Entretanto, nessa época não pude assistir, pois passou no horário da tarde, quando estava no trabalho. Porém, na semana em que a série foi exibida, numa ou outra vez que saí do trabalho para ir ao bar na esquina, vi algumas partes dos filmes e muito me entristeci com cenas de seres humanos sendo hostilizados por profundas crueldade e prepotência manifestas pelos macacos nada dispostos a reconhecer as virtudes humanas. E eu me impressionei querendo saber onde no filme a humanidade chegara a tal ponto e tamanho foi minha indignação que fiz um desenho combinando os elementos da tragédia humana naquela ficção. Entretanto, tudo não passava de fantasia.

Uma das cenas que me deixou mais triste dá-se ao final do primeiro episódio, quando o personagem humano, que viajara acidentalmente no tempo e sua nave caíra nesse planeta de macacos, conseguiu desvencilhar-se dos opressores gorilas e quando fugia triunfante deparou-se na praia com os restos tombados da estátua da liberdade, confirmando que esse planeta de macacos era a própria Terra após uma hecatombe cuja causa ele buscaria conhecer.

Após mais de trinta anos, pude matar a curiosidade de assistir a série, saciando também meu desejo de descobrir em que ponto da história os seres humanos reverteriam a situação, podendo retomar à sua soberania. Decepcionado, porém, episódio após episódio, fui vendo que a situação humana não se revertia, chegando ao ponto de ao final do segundo filme os remanescentes humanos (os que ainda não tinham sido dominados pelos macacos) detonarem a última bomba atômica, que eles reverenciavam como deus, como a solução final para a constante ameaça e opressão dos macacos.

Vencendo, contudo, o extermínio de humanos e macacos ao final do segundo episódio, o terceiro episódio começa com o casal de chimpanzés cientistas (que tinha ajudado o humano visitante no primeiro episódio) chegando à civilização humana dos anos setenta fugidos da explosão nuclear em seu tempo provocada pelos remanescentes humanos na guerra contra os gorilas. Utilizando-se da segunda nave dos visitantes humanos, que também morreram na explosão, o casal de macacos, acompanhados de um terceiro chimpanzé cientista, aportou amigavelmente na civilização humana da segunda metade do século XX e nesse ponto começa a descortinar-se a causa de a humanidade ter chegado a situação deplorável de tornar-se submissa aos macacos que tinham se tornado inteligentes.

No quarto filme, onde os macacos tinham se tornado os animais domésticos dos humanos por causa de uma epidemia que exterminara cães e gatos, em frente ao monumento ereto a esses dois animais domésticos, o chimpanzé falante (perseguido por ter falado), descendente dos macacos visitante que a vinte anos tinham sido mortos, perguntou a seu amigo humano porque os humanos tinham tanto amor pelos cães e gatos, mas tratavam tão mal, oprimindo e escravizando aos macacos que agora, sendo seus animais de estimação, eram mais que isto, pois se pareciam tanto com os humanos, servindo-os fielmente e com habilidades que os cães e os gatos jamais tiveram.

Ao ver essa cena e insistindo em torturar-me até o fim do último episódio, onde os humanos se tornaram amigos dos macacos, mas submissos a eles, ocorreu-me a resposta a pergunta do macaco falante chamado César, que foi posto no filme como salvador dos macacos escravos bem como da humanidade. É que, sem querer, ou talvez querendo, o roteirista dos filmes fez uma projeção para o nosso tempo, quando se gastam fortunas em pet shop, hospitais e médicos de cachorros, bem como em hotéis de cães e gatos, conforto e mordomias que a maioria dos seres humanos jamais experimentou, enquanto inventam-se argumentos para não alcançar uma moeda para uma criança ou mendigo no sinal de trânsito. Isso enquanto se vê os urubus tirando plantão junto as crianças famintas em muitos lugares do mundo. Justamente no tempo em que a Bíblia prevê que o amor de muitos se esfriará, pois as pessoas seriam mais amigas dos prazeres do que de Deus, onde os filhos e pais se matariam mutuamente e os humanos seriam arrogantes, jactanciosos, traidores, enfatuados, egoístas e tudo mais.

A resposta a pergunta do macaco e a tudo isso, porém, é simples: é que os macacos falantes do filme, assim como as outras pessoas na nossa realidade, são semelhantes e semelhantes podem ser ensinados e aprendem, podendo fazer, podendo ser explorados e se forem subjugados não perderão muito tempo com conjecturas, fazendo mais ainda e produzindo muito lucro. Por outro lado, quanto mais semelhante for o ser a relacionar-se conosco, mais achamos que ele pode fazer por si e superar os entraves que lhe impomos, não carecendo de ajuda, tampouco afeição e misericórdia. Pensamos que o fato de o que sofre a nossa frente ser humano como nós nos exime da responsabilidade de sair de nosso comodismo e egoísmo para fazer alguma coisa por ele; que o fato de ele ser semelhante e, por isto, capaz, nos desculpa por apertarmos mais a mão sobre a esmola latejante em nossa consciência, retendo para nós a ajuda humanitária, mantendo-a segura em nosso bolso, pensando que com isso garantimos nossos proventos no futuro.

É como se pensássemos que o fato de os menos favorecidos serem humanos como nós, nos desculpa o sermos avarentos. Por isto estamos entregando a soberania do mundo, o controle das nossas mentes e corações ao espírito sarcástico da deturpação da verdade e do direito; um espírito que, tal qual macacos, nos leva a simpatizar e imitar o que está errado (a avareza, esse mundo onde se valoriza o ter em vez do ser; um mundo de aparências, onde as pessoas gostam de fazer que são o que não são e se iludem preenchendo aqui e ali com material sintético), “fazendo graça para o diabo rir”; iludindo as pessoas com a falsa segurança de um mundo que caminha a passos largos para o caos; um mundo que carece urgentemente de Deus, pois a volta de Jesus está as portas e não se demora. Quem perder essa viagem será engolido pelo caos que muito se apressa.

Graças a Deus porque somos feitos a Sua imagem e semelhança, muito embora na maioria das vezes não temos refletido essa imagem. Entretanto, sabemos que nosso Deus jamais entregará nossa soberania a seres inferiores para que tentem fazer melhor o que não soubemos fazer, pois fomos criados a imagem e semelhança do Soberano do Universo e jamais evoluímos de algum ser inferior. Ao contrário de entregar nossa soberania a seres inferiores, Deus mesmo tomará do inimigo a quem entregamos a soberania e assumirá o controle de nosso planeta, que será governado por Jesus - Deus feito Homem, e então nunca mais viveremos a expectativa da separação de nossos queridos, da morte, do caos e do extermínio. Entretanto, isso somente ocorrerá depois que o ser humano tiver levado este planeta à beira da hecatombe final; depois que Deus purificar completamente a Terra da corrupção de seus moradores corruptos, então a soberania dos salvos será restabelecida e todo ser humano que desejar terá lugar nesse novo mundo onde a plenitude será real.

Que todos nos preparemos para seguir Jesus à eternidade.

Conheça a TV Novo tempo, conheça a Igreja Adventista do Sétimo Dia, conheça a Bíblia, a Palavra de Deus, e nela conheça o Jesus que breve vai voltar.

Wilson do Amaral

Autor de Os Meninos da Guerra, 2003 e 2004, e Os Sonhos não Conhecem Obstáculos, 2004.