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Um Assalto E Um Cavalo Doido


Acordo hoje pela manhã com minha filha de 18 anos, que mora no Rio de Janeiro, no bairro Grajaú, aos prantos, desesperada me dizendo que havia sido assaltada a caminho do colégio. O primeiro impacto é de susto e ao mesmo tempo de alívio. Ufa! Se ela está me ligando é porque está viva. Então tentando acalmá-la peço que ela respire fundo, pare de chorar e me conte c...om detalhes o que realmente aconteceu. Com muita dificuldade ela relata que foi seguida e abordada por um homem moreno, alto, barbudo e de cabelo ruim. Que a puxou, pelos cabelos e a arrastou para um canto de uma calçada ao mesmo tempo em que enfiava o cano da arma em sua barriga, por baixo de sua mochila. Sem dar tempo para nada o indivíduo falou: - Me passa o celular, ela tirou um aparelho do bolso e o entregou então ele disse:- agora me dá o outro aparelho. Aí nos perguntamos: - Como ele sabia que ela tinha dois aparelhos? A insegurança é tanta, que o assaltante fica na porta do colégio escolhendo suas vítimas? Ou será que existe algum informante dentro do estabelecimento de ensino passando tais informações? Bem essas considerações ficam para depois.
O interessante foi que algum tempo depois, mais calma, minha filha me retorna ligação, já estando em casa, em segurança e aí começamos a conversar sobre ela tomar mais cuidado daí para frente. Evitar ir para escola sozinha, observar se esse mesmo elemento anda rondando a escola. Pois o fato deveria ser comunicado a polícia, para que uma viatura pudesse fazer uma ronda no local nesse horário, já que minha filha não foi à única vítima. E que inclusive já se diz que sexta é dia de assalto. Pois é o dia em que funciona uma feira no bairro e o movimento facilita a ação dos meliantes. Mais um motivo para o local ser policiado.
Conversa vai, conversa vem, falei novamente que caso ela deparasse de novo com o tal sujeito, chama-se imediatamente a polícia. O hilário foi sua resposta: - ô mãe outro dia chamei a polícia para retirar um cavalo doido que estava na pista, trombando nos carros e assustando as pessoas e a polícia não veio. Você acha que eles vão vir para pegar o bandido? Fiquei atônita com a pergunta e questionei o fato, então ela me explicou: Que certa vez indo para a escola deparou com a situação descrita acima, dirigiu-se então a uma cabine da guarda municipal que fica próxima ao local, lá lhe mandaram ligar para os bombeiros, o que ela fez imediatamente: - Alô! Estou ligando para avisar que tem um cavalo doido na pista que precisa ser retirado, pois está provocando acidente e colocando a segurança dos pedestres em risco. Ao que o corpo de bombeiros respondeu: - O problema não é nosso, isso é um caso de polícia. Ligue para eles. "Mas pra polícia? Vou falar o que pra eles? Quero fazer um boletim de ocorrência porque o cavalo quer me assaltar"?
"Não sei senhora, mas não podemos fazer nada" Ela agradeceu e obedecendo a orientação ligou imediatamente para a polícia: - Alô! Estou ligando para avisar que tem um cavalo doido no meio da pista, que precisa ser retirado.... Relatou a mesma história. Então o sargento respondeu:- Tudo bem estamos a caminho, que arma eu levo para prender o meliante? É claro que acharam que era um trote... Mediante a tanto descaso, ela desligou o telefone e seguiu o caminho para escola. Até hoje andam soltos por aí o cavalo doido e o bandido. Lamentável! Espero que a filha de uma dessas autoridades não encontre nenhum dos dois pelo caminho.
Laura Duque
Enviado por Laura Duque em 04/11/2011
Reeditado em 04/11/2011
Código do texto: T3316775

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Sobre a autora
Laura Duque
Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil, 52 anos
293 textos (29093 leituras)
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Laura Duque