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Com a palavra, o Visconde de Icó

Boa noite, Icozeiros! Permitam-me a apresentação. Sou Francisco Fernandes Vieira, popularmente conhecido como Barão de Icó. Nasci em Saboeira, pecuarista e líder político dos Carcarás, cujo poder político imperava nos Sertões dos Inhamuns, e resvalava nos Sertões Cearenses.
Fui cavaleiro e oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, a primeira honorífica genuinamente brasileira, criada e liderada pelo Imperado do Brasil, D. Pedro I. Tornei-me barão, como sabem todos, e, depois Visconde. Não sou filho desta terra, mas dela fiz um viscondado, coloquei-a diante do grande Império Brasil.
Quero contar a verdade sobre a relação entre mim e o icoense Barão do Crato. Nossa diferença se restringia ao campo político. A minha principal aliada em Icó, como se sabe, foi a carcará Janoca Dias, que, por sua vez, era parente e inimiga ferrenha do Barão do Crato.
Eu, Visconde de Icó, jamais insuflei ou patrocinei as brigas entre eles. Só fiquei sabendo que Janoca Dias queria explodir o sobrado do Barão do Crato quando ela comprou arrobas e arrobas de pólvora. Eu sabia apenas que o Barão do Crato ameaçara cortar as tamarineiras. Realmente ali não era local adequado para descanso de tantos animais. Mas Janoca Dias era teimosa e nunca dava o braço a torcer. Jamais permitira passivamente que o Barão do Crato lhe cortasse as ditas tamarineiras utilizadas como sombreamento dos currais.
Quando surgiu o boato de que ele, o Barão do Crato, movia céus e terra, inclusive Roma e Vaticano, para casar-se com a própria irmã, fiquei tão estarrecido quanto qualquer icoense.
Não sou responsável por tal boato injurioso, apesar de ele e a irmã, jamais terem qualquer envolvimento com outrem, viverem juntos a vida inteira no Sobrado e na capital, serem vistos no Teatro Ribeira dos Icós e nas igrejas... O casal de irmãos era sempre visto grudado em todas as ocasiões! Um era a única companhia do outro; a cidade inteira testemunhou isto. Os Carcarás nem Janoca Dias inventarem tal apego estranho; apenas constataram-no.
Apesar das evidências, nunca lhe acusei de incesto. Nem espalhei tal boato através dos meus aliados, os Carcarás. Nem autorizei Janoca Dias, como já disse, a espalhar tal desconfiança.
Está dita a verdade.
Parabenizo a cidade por celebrar a cultura e a história. Parabéns pelo Icozeiro. Parabéns ao Yuri e ao Icóénotícia. Obrigado a todos.

(Texto de Antonio Jota, mas tá liberado: pode copiar, plagiar, criar em cima, refazer, fazer melhor etc e nem precisa citar este autor como fonte; apenas as fontes ab linkadas abaixo. Boa leitura).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Fernandes_Vieira
http://www.sfreinobreza.com/NobI1.htm
Antonio Pinto Nogueira Acioly
Enviado por Antonio Pinto Nogueira Acioly em 20/11/2011
Código do texto: T3346020

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Sobre o autor
Antonio Pinto Nogueira Acioly
São Paulo - São Paulo - Brasil
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