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Clarice Lispector é chegada a Hora da Estrela ...

"Como apagar uma estrela que apareceu para contagiar a todos com o seu brilho.Nasceu em 10 de Dezembro e faleceu em 09 de Dezembro, antes dos seus 57 anos. Nada foi fácil para ela, mas, aprendeu a colocar no papel o alvoroço que turbilhava na sua alma. Escrever para ela, me faz pensar que além do desafio era uma forma de inovar transpondo a riqueza psico-social das suas personagens conciliando com o seu "Eu" profundo. “Sou tão misteriosa que não me entendo.” Uma salva de palmas para você minha querida Clarice, E,u aprendi a ler e a respeitar como a estrela maior  da nossa Literatura."
          Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, mas seus pais imigraram para o Brasil pouco depois. Chegou a Maceió com dois meses de idade, com seus pais e duas irmãs. Em 1924 a família mudou-se para o Recife, e
          Clarice passou a freqüentar o grupo escolar João Barbalho. Aos oito anos, perdeu a mãe. Três anos depois, transferiu-se com seu pai e suas irmãs para o Rio de Janeiro.
          Clarice afirmava não ter nenhuma ligação com a Ucrânia -          "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira pátria era o Brasil."
           Depois de uma paixão não correspondida com o escritor Lúcio Cardoso (ele era homossexual), ela se casou com um diplomata e tornou-se Clarice Gurgel Valente, e eventualmente, mãe de dois meninos.
           No Rio, e, 1943, com 23 anos, ela terminou seu primeiro romance, “Perto do Coração Selvagem”. O estilo deste livro foi muito inovador. No ano seguinte, ela foi premiada com o Prêmio Graça Aranha para o melhor primeiro romance. Muitos sentiram que ela havia dado a literatura brasileira uma voz única no contexto mais amplo da literatura. O exame da vida interna dos seus personagens era uma reminiscência do estilo de Virginia Woolf e James Joyce.
           “Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
              Em 1939 Clarice Lispector ingressou na faculdade de direito, formando-se em 1943. Trabalhou como redatora para a Agência Nacional e como jornalista no jornal "A Noite". Casou-se em 1943 com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem viveria muitos anos fora do Brasil. Em 10 de agosto de 1948, nasce seu primeiro filho, Pedro, em Berna na Suiça. Quando criança Pedro se destacava por sua facilidade de aprendizado, porém na adolescência sua falta de atenção e agitação foram diagnosticados como esquizofrenia. Clarice se sentia de certa forma culpada pela doença do filho, e teve dificuldades para lidar com a situação.
                 Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
                “Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
                   Seu primeiro romance foi publicado em 1944, "Perto do Coração Selvagem". No ano seguinte a escritora ganhou o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras. Dois anos depois publicou "O Lustre".
                   Em 1959 se separou do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. No mesmo ano assina a coluna "Correio feminino - Feira de Utilidades", no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna "Só para mulheres", do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
Provoca um incêndio ao dormir com um cigarro acesso em 14 de setembro de 1966, seu quarto fica destruído e a escritora é hospitalizada entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos, e depois de passado o risco de morte, ainda fica hospitalizada por dois meses.
                  “Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.
                 Em 1975 foi convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Cali na Colômbia. Fez uma pequena apresentação na conferência, e falou do seu conto "O ovo e a Galinha", que depois de traduzido para o espanhol fez sucesso entre os participantes. Ao voltar ao Brasil, a viagem de Clarice ganhou ares mitológico, com jornalistas descrevendo (falsas) aparições da autora vestida de preto e coberta de amuletos. Porém, a imagem se formou, dando a Clarice o título de "a grande bruxa da literatura brasileira". Seu próprio amigo Otto Lara Resende disse sobre a obra de Lispector: "não se trata de literatura, mas de bruxaria.
                 Em 1977, Clarice Lispector publicou A Hora da Estrela. Este romance demonstra a pobreza em relação ao poder no Brasil. Este foi também o ano em que Clarice Lispector sucumbiu ao câncer de ovário. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos,     Clarice ainda ditava frases para a amiga Olga Borelli.
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
                 “Sim.Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
                   Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

                        Bibliografia
FERREIRA, Teresa Cristina Montero. Eu sou uma pergunta: uma biografia de Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
GOTLIB, Nádia Battella. Clarice: uma vida que se conta. São Paulo: Editora Atica, 1995.
MOSER, Benjamin. "Clarice, uma biografia". São Paulo: Ed.Cosac Naify, 2009
Página oficial
Autores Judeus. Com prefácio do escritor riograndense Moacyr Scliar.




Ana Marly de Oliveira Jacobino
Enviado por Ana Marly de Oliveira Jacobino em 11/12/2011
Código do texto: T3383245

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Sobre a autora
Ana Marly de Oliveira Jacobino
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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Ana Marly de Oliveira Jacobino