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O AMOR É UM ACIDENTE

      Acabei de sair de um relacionamento que durou 3 meses. Foi curto, porém, intenso. Durou o tempo real. O tempo que deveria.

      O quanto longe poderia chegar, tratando-se de dias (dimensão de tempo desse mundo tridimensional), é algo dispensável a apegar-se. Uma mera imaginação. Ninguém disse que tinha que ser para sempre. Pelo menos não achei nenhuma escritura onde dizia:

“Marcela, o grande amor de sua vida é @#$%&*¨%”.

       Aliás, acredito que todos são amores, cada um no seu tempo, cada um do seu tamanho. Não existe um maior, um melhor, pois nossas necessidades vão modificando-se a cada experiência. E assim nos transformamos, somamos e almejamos coisas diferentes daquelas pelas quais achávamos que morreríamos até ontem.

       Cheguei a comentar em um dos meus momentos de romântica-realista reflexiva, ao dirigir-me a este último namorado chamando-o de Amor, em plena virada do ano:

“Quantas pessoas nós já chamamos de Amor não é?!”

       Claro, um completo silêncio, um tipo “fingi que não escutei” ele fez. Mas é verdade! Tentamos ficar tão pessoal de cada novo Amor, tratando-o de forma tão impessoal. Talvez uma forma de garantir a nós mesmos que Ele ou Ela pode ir embora, mas o Amor é nosso.

E ao perceber isto, o quanto perecível é relacionar-se com alguém, é que fica mais fácil aceitar que sempre haverá um “Amor” para chamar, e mais fácil também é se desfazer de um quando há algo muito desagradável. Ainda mais depois que descobre-se que de amor não se morre e que tudo uma hora passa.

Mas esse meu realismo, praticidade para alguns, principalmente em desfecho de relacionamento, na verdade torna-se o meu impulso para um novo momento romântico. Pois desejo que passe tão rápido qualquer sentimento ruim, de sofrimento, que me atiro ao trânsito novamente, na busca por um atropelamento desconcertante e turbulento de um novo amor.

Não estou falando de atirar para tudo quanto é lado, muito menos de sair pegando o primeiro que aparecer. Isso não é nem um pouco envolvente. É superficial, é banal, é vazio. Aliás, está longe de ser um atropelamento, pois desperta tão raso sentimento que nem me abala.

Atiro-me num trânsito de vias sem muito movimento, hoje em dia. Onde o percurso é maior, onde não se pega atalhos e nem muitos túneis. Por onde estou as coisas são mais claras, e há muitas paisagens, muita reflexão, mas também, muitas emoções profundas.

Espero um atropelamento. E não veja como um ato suicida...já disse que de amor eu não morro, aliás, de amor eu vivo.



Obs: ref. ao comentário do tiago...Não Tiago, a felicidade é constante, assim como o Amor, que é meu, sempre comigo, mas a quem eu o dedico, a quem eu o extendo é a vida quem decide, ninguém substitui ninguém, cada pessoa tem um valor único e que perdura sempre. Mas todos estamos de passagem, física principalmente, cada experiencia emocional que vivo, levo comigo sempre, o amor que soma...jamais alguém será apenas uma peça para mim. Sei e sinto cada amor que passou dando espaço para um novo como uma corrente. E assim, cada pessoa que esteve comigo em algum momento, sabe o quanto especial é! Pena que a referência de mulher brasileira ou não o faz ter um julgamento tão preconceituoso e lhe dá pouca amplitude para a compreensão de alguns dizeres femininos.
Marcela
Enviado por Marcela em 23/01/2007
Reeditado em 28/06/2009
Código do texto: T356782


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Sobre a autora
Marcela
Santos - São Paulo - Brasil, 36 anos
32 textos (2330 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/09/20 18:18)
Marcela