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Papo de Jeca

Papo de Jeca

A moça da cidade chega ao interior, com seu carrão vermelho conversível, e pára numa barraquinha de beira de estrada, onde, em letras mal pintadas e tortas, lia-se: “Servimo sukiaki”...
A moça, com fome, e entusiasmada com a inusitada situação, já vai chegando e pedindo:
_ Moço, quanto é o sukiaki?
_ Dois real, moça...
_ O prato?
_ Não, o copo...
_ Vocês servem no copo, é? Então, tá... Me dê um...
_ De quê?
_ De que o quê?
_ Do que a senhora vai querê... O sabô...
_ Sabor? Mas pelo que eu saiba, sukiaki é feito de um jeito só...
_ Ah! A senhora já conhece o sukiaki?
_ Se eu conheço?? Ora, meu amigo... Eu sou uma mulher muito viajada, conheço vários países... E o Japão, especialmente, é o meu preferido... Tenho tantos amigos por lá...
_ Ah... Intirissanti...Mai do que vai querê memo?
_ Meu amigo, já falei que só existe um tipo de sukiaki...
_ Ah, isso num existe memo... Existi vários...
_ Ah, é? Então me vê um de camarão...
_ Ah, camarão tem não...
_ Então, um de frango...
_ Frango tamém num tem...,.
_ Então, um de anchovas...
_ Virgi.. Isso é qui num tem memo...
_ Está vendo, meu senhor? Não existem outros tipos de sukiaki... Como eu disse anteriormente, só existe um... E é esse que eu quero...
_ Mai quar ‘um’ qui a senhora cunhece? Falo issu pruque o ‘um’ qui nóis conheci é treis...Di laranja, acerola e pitanga...
_Meu senhor, o senhor está querendo tirar umas com a minha cara...
_ Tirar umas, não senhora... Quem tira umas das cara do povo tudim é minha muié, Etervina... Ela montô um salão di beleza e tira cada tranquera da cara da muierada...
_ Tá, tá, tá... Moço, eu estou com fome e quero sukiaki... Por favor, sirva-me o que o senhor tiver... Qualquer um...
_ Ah, se é quarqué um, nem percisa sê naturar... Podi sê quisuqui...
_ Qui suqui??
_ É, onti teve um acidente bem aqui na frente da minha barraquinha. Era um caminhão chein di pacotin di qui suqui... Os menino correru tudo e pegô uns par dele... Então, se a senhora não faiz questã do suqui sê naturar, podi sê artificiá... Di pacotim... Podi sê?
Foi só aí que o moço percebeu... A moça já entrara em seu ‘conversível’ e saíra com o pneus do carro cantando...
_ Êta qui esse povo da cidade é tudi isquisito memo... Onse se viu saí ansin, sem nem falá ‘bas tarde’? E inda pur cima, queria fazê paiaçada com eu.... Imagina, suqui di camarão, di frango e di chuva... Eu, hein?

(Adriana Luz )
Adriana Luz
Enviado por Adriana Luz em 28/01/2007
Código do texto: T361760
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Adriana Luz
Salvador - Bahia - Brasil
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Adriana Luz