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mania de doença

MANIA DE DOENÇA

Estava sentado no ponto de ônibus e duas senhoras em pé conversando. Uma delas era negra, baixa, gorda e usava saia, a outra era branca, estatura mediada, gorda, usava bermuda e tinha uma tatuagem meio apagada na canela. Vou chamá-las de Maria e Cleide, respectivamente.  Comecei, sem querer querendo, a prestar atenção no que elas estavam falando. Notei que era sobre doença.  Maria começou a falar que estava com um “pobrema” no esôfago, será que ela sabe onde é o esôfago? Ela disse  que qualquer  coisa  que comia vomitava. Os sintomas que sentia, segundo ela, era como se estivesse grávida. Cleide então, não deixou por menos, falou que passou vários dias de cama sem poder se levantar, não sabia o que era. Maria falou que estava com uma queimação terrível no estômago há vários dias. Cleide rebateu, falando para ela pegar uma ficha a fim de fazer  um “checape geral”. E Maria mais que depressa respondeu eu já peguei e já fiz. E as duas continuaram a competição. Nesse instante, o ônibus de Cleide apontou na Avenida,  Maria perguntou se despedindo sobre a mãe de Cleide e Cleide respondeu, andando depressa, que ela estava mal, mas que estava melhorando. Maria não se contendo e agora na posição de médica, gritou para Cleide parar de fumar, pois isso a mataria. Cleide apenas balançou a cabeça e entrou no ônibus.
Passados alguns instantes, Maria se sentou ao meu lado, abriu a sua bolsa de corvim preta, tirou de dentro um papel e começou a lê-lo. Eu não consegui evitar em olhar e saber o que estava escrito naquele papel. Observei de rabo de olho, que era um exame, com o logotipo do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Noroeste (Cisnor). O exame era realmente um “checape geral”. Tinha descrição da veia aorta ao pâncreas. E Maria lendo aquilo, com cara de não entender nada. E eu, ao seu lado, tentando pescar o que pudesse, pois achava que Maria estava em estado terminal. E fui descendo o olhar pelo papel, sempre de rabo de olho, e ao final constava o resultado do exame. Quando vi o resultado não acreditei. O exame de Maria estava tudo dentro do padrão da normalidade.



Marcos Lacerda, novembro de 2006.
kikoss
Enviado por kikoss em 03/02/2007
Código do texto: T368517

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Sobre o autor
kikoss
Itaperuna - Rio de Janeiro - Brasil, 44 anos
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