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"A RIQUEZA INTERIOR"


Nesses momentos em que estamos vivendo, ao qual ouso chamar “guerra de nervos”, (vejam o trânsito) tal a pressa com que procuramos cumprir as nossas obrigações e tentar um tempinho para espairecer, sono mal aproveitado, cansaço extremo, preocupações com as coisas que se amontoam em torno de nós, não só psicológicas mas físicas, sentimo-nos naufragar nesse mar de incertezas, um exagerado modo de “não saber viver”, sem tempo sequer para acariciar os sonhos que ainda flutuam pela nossa esperança.
Vontade existe para tudo, mas são tantos os impedimentos, que parece sempre mais fácil deixar ficar como está do que tentar fazer a diferença.
Mas, quando deixamos de lado essa reclusão e abrimos uma janela para o nosso coração, verificamos que há coisas fora de nós mesmos, do nosso mundo, que são necessárias para o nosso dia a dia... E percebemos que momentos como estes, inesperados, revitalizam nosso corpo, enchendo-nos de emoção, aquela emoção que enche seu peito de alegria, de felicidade, ao constatar que a vida sempre se renova, mesmo sem você se mexer.
Foi assim, nesse estado de beatitude, que estive presente em um sarau, ouvindo um coral de senhoras idosas, as que são chamadas de terceira idade, pessoas ativas que enfrentam seus problemas do dia-a-dia, resolvendo-os, e que com um amor e coragem indescritíveis, perfilam-se, cabeças erguidas, compondo um coral, soltam suas vozes entoadas,  mostrando que estão vivas, fazendo aquilo que sempre quiseram fazer na mocidade, vontade esta que, possivelmente, foi sacrificada, substituída pelas obrigações cotidianas e deixadas para mais tarde, ou nunca.
Mas a música sempre nos acompanha... e ela estava lá, dentro de cada uma delas!
Sim... A música é a mais divina das artes, ela é sutil e atinge imediatamente o âmago do ser humano, é o alimento de sua alma, tão necessária como qualquer outro alimento, mesmo  não sendo  visível aos nossos olhos, e estes, mesmo fechados, conseguem transportar-nos para locais paradisíacos, espaço este etéreo onde sentimos o perfume que exala de suas notas.
A emoção nascida de um momento assim, abre-nos a janela da alma deixando entrar a Luz da harmonia, mergulhando a nossa mente na Paz! Tão desejada paz!...
Isto é o que chamamos de felicidade, e esta nos foi oferecida por dezenas de avós, em horas noturnas, mostrando a todos os presentes a jóia, a beleza que cultivaram na alma, e mesmo agora,  despidas de vaidade, cabeças encanecidas, dão-nos o exemplo de que em todos os momentos da nossa vida podemos usufruir da beleza da arte. Foi maravilhoso, um momento que nos traz  para fora do nosso eu aquele ser abençoado, divinizado que crucificamos dentro da nossa apatia, dos nossos desejos, da intolerância, da vaidade, do orgulho, e até da inveja.
Sim, não somos a nossa aparência, somos muito maiores do que sabemos, do que pensamos, do que sentimos. Somos esse ser desconhecido que teimosamente sufocamos no dia a dia dessa vivência mundana!

Luzia Stella D.C. de Souza e Mello
Membro da ARL e da UBE
Autora de "A VELHA FAZENDA" seu 5º romance lançado recentemente.
lstella2705@gmail.com
Stella Mello
Enviado por Stella Mello em 28/05/2012
Código do texto: T3693049

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Sobre a autora
Stella Mello
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil
51 textos (6804 leituras)
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Stella Mello