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Coisas da Modernidade!

Bem, para começar gostaria de colocar ser heterossexual convicto, pai de família por opção, interessado em política (tanto interna como externa) mas realmente enojado com ambas, crente em Deus (apesar de não ser religioso), sem preconceitos (como a maioria dos brasileiros) e usar óculos. Talvez alguns estejam estranhando esta minha declaração, achando que sou louco, ou que não tinha nada a escrever daí colocar estas besteiras meio que sem sentido ou sei lá quantos pensamentos mais podem surgir por ai, afinal este é um espaço público e de um publico bem variado em raças, sexos, preferências sexuais, ideologias, nível cultural  e faixas etárias, logo acho que todos devem se colocar, antes de mais nada, para que não ocorram mal entendidos para os leitores sobre algumas idéias e opiniões aqui expostas, se não vejamos o que quero dizer.

Hoje em dia as coisas acontecem cada vez mais rápido e com uma gama de ocorrência realmente impressionante, as mudanças sociais, os climas e os modismos então eu creio acontecem ainda mais rapidamente que o resto. Outro dia mesmo entrei em uma loja e na porta tinha um camelô (profissão antiga mas muito na moda agora), estava vendendo bijuterias “chapeadas” (alguém me diga se é diferente e como do velho folheado!), pois bem paguei uma prestação, a fila estava por sinal pequena,e ao sair o cidadão estava vendendo guarda-chuvas. Realmente tinha mudado o tempo de um sol escaldante para um pé d’água, mas achei interessante aquela mudança radical em tão pouco tempo (como ele adivinhou que choveria?), e fui falar com ele:
- Você não estava vendendo bijuteria ainda agorinha?
- Tava doutô, mas a variedade é a alma do negócio, né
- Mas por que não deixar as bijuterias ai em cima do tabuleiro também?
- Besteira doutô, com chuva ninguém olha as orelhas e os pescoços, só se vê dos silicone pra baixo, o que dá mesmo é guarda-chuva, ainda bem que to sempre prevenido. Vai unzinho ai, cinco paus só.
Concordei com ele em sua tese quanto a acuidade visual, agradeci a oferta e segui meu caminho pensando, imagina um cara destes no ministério da economia, sucesso garantido nas políticas econômicas, estoques reguladores, exportações, produção agrícola e demais fatores que compõem o PIB.
 Continuei meu caminho por baixo das marquises, já agora apinhadas de guarda-chuvas (aliás gostaria de saber por que andar de guarda-chuva aberto embaixo da marquise?), afinal o pessoal por aqui também é prevenido com o tempo, dando graças a Deus por usar óculos, pois caso contrário estaria com a vista perfurada de tantas varetadas que levei no trajeto, e recebendo tantos “santinhos” (aqueles papeizinhos escritos para uso interno, mas que são distribuídos na rua), que gostarias de ser dono de uma usina de reciclagem, era um tal de dentistas com avaliação grátis, óticas com preço único e exame de vista grátis, compra-se ouro e jóias em geral, despachante a preços módicos e para todas as serventias,lojas com promoções, lojas sem promoções, bares, restaurantes e pensões (comida caseira, claro), que fiquei imaginando se a turma de Green Peace não ia aparecer de repente e arrastando uma rede ou pintando todo mundo em protesto contra a verdadeira floresta derrubada que estava rolando e entupindo os bueiros por ali, mas graças não aconteceu nada disto.
Finalmente cheguei ao banco, onde recebi a triste notícia de que teria de me dirigir ao caixa, pois o que queria não estava disponível nos caixas eletrônicos. Quando olhei o tamanho da fila e o numero de caixas atendendo, não sei se tive mais pena de mim ou dos caixas, pois apesar de ser hora do almoço, antes da janta nem eu, nem eles sairíamos dali, com certeza, mas o que não tem jeito ajeitado está e lá entrei eu naquela fila, que por aqui de tão grande que sempre está, é colocada em forma de “S” para poder caber dentro dos bancos e separadas as perninhas do “S” por faixas pintadas no chão ou tiras de nylon seguras por pedestais móveis, formando verdadeiros labirintos, onde se olha para um lado e estão indo as pessoas já do outro estão voltando e neste vai e volta se chega ao caixa após uma espera, que por lei seria de . . .. Ah! Deixa pra lá, afinal não muda nada mesmo.  Continuando o assunto, quando olho para o lado, um amigo dos áureos tempos de escola secundária (o qual aproveitou para entrar na minha frente na fila), vestindo uma calça jeans com os desbotados da moda e camiseta sem mangas (tipo machão), batom discreto, maquiagem leve, cabelos pretinhos com gel meio arrepiados (ao menos na parte superior, onde ainda se percebia as filas de implante) e sobrancelhas alinhadas, folheava  tranqüilamente uma destas revistas de moda e beleza masculina. Bati-lhe no ombro dizendo – e ai irmão, lembra de mim?-- ele me olhou com curiosidade por um minuto e logo abriu um sorriso, claro! E como esquecer depois das tantas que armamos juntos, como está esta força? Mas que surpresa te ver por aqui cara, faz quanto tempo, nem lembro mais, uns vinte anos? Bota trinta nisto (retruquei), trinta e tal para chegar mais perto. Começamos a lembrar dos tempos de colégio, das bagunças, dos professores e destas coisas todas que se torna presente ao se encontrar um velho amigo, até chegarmos aos tempos atuais, tipo família, trabalho e enfim o que se está fazendo e se fez desde aquela época, de juventude e inconseqüências. Tenho de confessar, fiquei “desbundado” quando o cara me olhou assim “na lata” e foi logo dizendo com um sorriso nos lábios – tais pensando que eu sou gay, não é verdade?-- não estava pensando nada,” imaginava” que já sabia mesmo! E devo dizer não tenho nada contra, nem a favor, muito pelo contrário, cada um com seu cada qual; mas o cara deu uma baita de uma risada e afirmou – sou metro. Eu por mim não sou lá muito afeito a sistemas de medidas, seja milha, quilometro ou palitinho de dente, mas entendi o que ele disse “metrosexual”, a mais nova tendência de cuidados com o corpo e da higiene corporal, sem esquecer da beleza masculina, e o cara continuou falando, que a mulher dele achou ótimo seu novo visual mais cuidado, que era bem menos trabalho depilar em vez de fazer a barba todos os dias (corajoso!), já não tinha pêlos indesejáveis pelo corpo e a pele? Esta estava ficando tal e qual bumbum de neném e “elas adoram fazer carinhos em nenéns”, mulherengo ele. Bem o fato foi que nem notei as horas que passei naquela fila, a qual seria tediosa de outra forma, devido a nossa conversa e aos nos despedirmos ainda marcamos um jantar para um mês depois com as devidas esposas (a minha e a dele, a quarta se não me engano), afinal não é sempre que se tem oportunidade de encontrar com os velhos amigos perdidos pelo tempo a fora e nem de se saber mais sobre as novas tendências assim diretamente e contando então com a opinião do sexo oposto In Locum.
Voltei para casa imaginando como será este jantar, e mesmo pensando uma série de besteiras tipo, será que a mulher dele usa bigodes? Ou será tipo hippie que nem as axilas raspavam? Uma marombeira, quem sabe? Seja como for daqui a um mês conto aos interessados, isto é se sobreviver ao evento.
Inté mais.
DDJOMMA
Enviado por DDJOMMA em 04/02/2007
Código do texto: T369437
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Sobre o autor
DDJOMMA
São João de Meriti - Rio de Janeiro - Brasil, 65 anos
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