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Um cálice de sangue, um lágrima...

                                "My heart is drenched in wine
                                     But you'll be on my mind
                                                     Forever"
                                (Norah Jones, Don't Know Why)

Estendo o braço, vejos dedos longos de caveira, garras desconhecidas com dores velhas, destinos antigos grafados na palma da mão como estigmas de uma face de uma velha cigana.
Nada se disfarça tão completamente quando a humilhação de não haver vencido, não ter chegado a vitória, ser o monstro preso na lucidez fria da luz do dia.
Existem criaturas mórbidas que jamais saberão o que é medo, o que realmente é um ranger de dentes, um olhar sombrio.
Quebro uma unha tentando liberar-me de uma chaga mortal...
Desenho faces no ar, mas não construo castelos com palavras, escondo-me da única maneira que sei, mas ainda assim mostro-me tão eu, tão comum, tentando fugir (ou voltar) ao mundo dos arquetipos com uma possibilidade que somente um dado com dados inumeráveis poderia me dar uma chance...
Há cravos pisoteados... existem clavas trincando o chão...
Atraves da camisa entre-aberta vejo o peito forte, fatigado... o rosto viril.... a mão de que se almeja o toque... distante!
Um cruzar e um descruzar de pernas.... feminino X masculino... momento de uma escolha, sou mais demonio do que anjo... sorriso pervertido nos labios inocentes... mais misterioso que a Monalisa... Da Vinci jamais sonharia como uma mente pode ser grotesca e romper da escuridão sonhos pútridos de deleite angelical...
Nada como um estalar de dedos sutil... mágica antiga... riso macabro...
O segredo conciste em jamais se mostrar, mostrando-se. Diga "oi" de uma maneira que faz o sangue vibrar, observe a jugular da presa... cuidado.... nada de terreno santo, um beijo... singular... colunas dóricas ao luar....
Estenda o braço, pegue o cálice e parta-o de encontro ao chão... em um dos finos cristais de dor, sangue...
Peito arfante...
Olhe no profundo verde dos olhos, nada mais inocente do que o doce unicórnio a ser sacrificado...
Modernidade: cataloque-o! Pronto para o sacrificio: homo sacer...
Não sou uma criatura tão desprezivel, sei avaliar um pelo pedaço de carne...
(Uma aranha sorrateira constroi no canto da sala uma teia e espera, fumando em sua longa cigarreira de prata,  a presa, certa de que ela virá...)
Salto magnificos.......
Um gole de vinho... aff.. logo  vai amanhecer...
é preciso tirar a tinta que ainda esta presa na ponto dos dedos....
Seco.. suscinto...
Ainda espero uma nova carona...
numa noite qualquer...
Ev
Enviado por Ev em 12/02/2007
Código do texto: T378758

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Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 32 anos
56 textos (2959 leituras)
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