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Fade-in: as vezes é preciso cair no concreto para pensar abstrato...

                                                      "Sorry!
                                          I don't understand!
                                    But I guess that you want
                                                I have decide
                                                           or
                                  I must to see you today..."
                                      (Richard Weeds - 13.02)

Acho que sou mais poeta do que qualquer outra coisa. Páro, penso... imagens e linhas... uma bela colunata, uma escadaria, bela fachada.. hum... século XV, talvez XVI... barroco? Não, clássico...
Ainda me confundo com coisas simples...
A cena consiste em algo básico... atores centrais, foco de luz azul, noite, céu estrelado, set-up key, nublado...
Clima... gótico, romântico.. um pouco chuva... linhas claras bem delineadas, pensamentos escondidos e sorrisos maliciosos...
Anjo e Demonio...
Mortal e Imortal...
Existem delirios que não devem ser registrados, o olhar no ultimo momento, o deslize em uma cena... o problema é que é impossivel voltar atrás....
Coloco os óculos, escondo o rosto verdadeiro, digno de não ser visto. Não sou um anjo, posso ser cruel... com mais requintes de crueldade que nem mesmo Jack, Jason ou qualquer outro possa pensar... personagens pobres...
No fundo sou apenas uma versão moderna de Forrest Gump, com a unica diferença que minha história não é tão especial assim, embora tenha algumas belas fotografias.
Talve Charles Dickens  se interessaria por ver alguns trechos, mas a obra completa, não sei...
Continuo de óculos, as costas ardem, sentem os olhos alheios.... os olhos na frente da tela...
                    "Pretty woman, walkin' down the street"
Suspiro, prendo o folego, nada a ver... apenas a perguntar...
                       "There'll be tomorrow night,but wait
                                            What do I see?"
Nenhuma Rachel Marron, mas... algumas orquídeas, um toque lerdo na face, um torpor de quem ainda não dormiu e as horas que corroem a ponta do lápis...
Classificação, nenhuma, coisas impúblicaveis, como aquele momemto em que tua mão tocou a cocha daquela, como ela se chama mesmo? Ah... uma desconhecida...
Genero: obtuso... como os triângulos de Kandinsky...
Ah... um ultimo momento.. o trem passa, esquece minhas cartas, devora minhas lembranças... eu morro enquanto personagem e hei de nascer como ente vivo, criatura livre... de medos?
Nenhum glamour, cadeiras vazias....
Um saco de pipocas voa no centro da sala como uma borboleta que nada mais é que simbolo da libertação de um povo oprimido.
Obra demasiado longa.
Final: trágico, nada Shakesperiano, talvez Hitchcock saiba divagar sobre o conceito da projeção do suicidio.
O ideal: Werther.... ou os poetas perdidos no esquecimento de um quarto escuro, comprimidos numa mão e... não, nenhuma vontade.
No fim só espero que minha vida tenha sido um belo longa metragem que tenha tido seus momentos de glória, um Oscar ou dois, nada demais, talvez Cannes... talvez... somente um um  incerto talvez de filme embolorado, esquecido e largado a um canto...
Ev
Enviado por Ev em 13/02/2007
Código do texto: T379828

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Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 32 anos
56 textos (2959 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 01/10/20 01:33)
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