PAZ

Todo o santo dia eu tento abstrair-me dessa triste realidade. Quero muito falar do amor, da fraternidade, do homem em comunhão com a vida. Eu realmente sonho com o poder de Deus. Um Deus que não tem cara nem cobrança. Um Deus tolerante, Deus mesmo, que entende de tudo, principalmente, de coisas que nem sonhamos. Não há como cobrar um “tostão” a mais do ser humano além daquilo que ele tenha a oferecer. Não há como julgar o erro do semelhante, diria até, de nós mesmos. Somos todos iguais na essência, temos a mesma natureza e os vários desvios, ficam por conta do (para nós) incerto. Mas esse Deus que sinto existir, apenas promove ou incita o equilíbrio, não mais do que isso. Ele é democrático e imparcial. Ele nos deu força e inteligência e acima de tudo, discernimento e sensibilidade para agirmos com bom senso por nossa conta e risco. Infelizmente, nos tempos atuais, quanto mais se buscar a paz, mais soluções violentas desenterramos. Desenterramos porque já foram enterradas mais de um milhão de vezes, são todas soluções antigas e conhecidas. Remédios cujas receitas brotam dos mais renomados médicos da bondade humana que conhecemos. São os médicos “poetas”, médicos “instituições religiosas e sociais”, médicos “espíritas e espirituais”, médicos de toda sorte e variedade. São médicos no singular e no plural, todos médicos com as mais elevadas das intenções. E a paz continua a existir apenas no imaginário do ser humano, que se quer consegue dar-lhe forma, mesmo que surrealista. Mas continuo achando que Deus apenas observa e sabe o momento certo de intervir, se é que tem a intenção de faze-lo. Enquanto isso não acontece, e até, considerando que não venha acontecer, vou continuar a inventar sonhos e imaginar poesias que ao meu ver, retratem, pelo menos do meu ponto de vista, uma letra que seja, da paz que eu acredito, possa vir a existir.

Jose Carlos Cavalcante
Enviado por Jose Carlos Cavalcante em 27/07/2005
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