Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Aspiro, mais do que espero

"Nous rêvons de ce que nous avons vu, dit, désiré  ou fait."
[Maury, 1868]

    Eu olho o dia como se fosse a primeira vez, adolescente desnudo com a mão diante do caos. Não sonho mais, talvez pudera, meus devaneios se extendem em uma realidade limitada apenas pelo não-racional em que habito.
    Eu vejo grifos... Serpentes... Enigmas... Gente!
    A vida não é mais um tabuleiro de xadrez jogado no eterno silêncio da não linguagem. É o corpo intocado da virgem, o êxtaze do martírio do último homem.  Tudo é visual, desde os lábios de seda que seduzem às garras que atraem a morte.
     Minhas ferramentas se comprazem na série máxima de clichês dos quais não consigo escapar, e dos novos, que tento, em vão talvez, criar.
     Meus óculos vêem o mundo por mim e me contam um segredo talvez astucioso; eu abro um livro qualquer, não encontro uma metafísica sutentável, mas vejo em furor absoluto, uma rosa guardada na retina por lágrimas amáveis.
     As rosas... o perpétuo... as rosas...
     Não obstante, não penso em rosas... a volúpia que me condiz é esquecer que por um momento sou eu, e ouço, a voz do acaso no silêncio de um velho vaso.
     Minha verdade, ela é minha apenas, talvez possas encontrá-la, mas o que eu sinto hoje me torna mais feliz e mais amável, talvez mais humano, talvez mais divino. Talvez.. nada!
      Eu sonho com sua face pairando sobre o vulto negro das estátuas de meus medos, corpos de trevas que se entrelaçam nas escuridão. E o caminho, destino, arbítrio divino, jogo de mortais.
      Converso com minhas múltiplas personalidades, e me descubro irrequieto, mundo de personagens desconheecidos. E habito a literatura, o livro desconhecido, a poeira sedutora dos séculos que cobria o corpo de Branca de Neve e ainda assim, desgrenhada, fria, morta, mas viva, seduzia no silêncio do ocaso seu salvador.
      Sempre incorremos em nosso favor, mas tudo, jamais se corrompe tanto quanto a verdade de um sonho. E no entanto, não posso, não sei. Mas aqui estou!
Ev
Enviado por Ev em 08/03/2007
Reeditado em 08/03/2007
Código do texto: T405783

Comentários

Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 32 anos
56 textos (2959 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 01/10/20 12:16)
Ev