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(imagem de João Vasco, www.thousandimages.com )

ESCOLHIDA. E ACOLHIDA.

               Depois de muitas idas, vindas, voltas e (re)voltas, a gente tem certeza de que pouca coisa na vida é importante de fato. A única coisa realmente relevante é a coerência. Inclusive – e principalmente – com as nossas próprias e (aparentes) incoerências. Uma hora apropriada para eternizar-se o amor que demos a quem quer que seja. Continuaremos amando, ainda que de outra maneira. Ainda que nossa forma de amar possa não ser compreendida pela multidão, ainda que nos rotulem de insensíveis porque escolhemos amar de outra forma e de longe. Um momento em que não temos mais que nos envergonhar das escolhas que fazemos. 

          Escolhemos de outra maneira, diferente do que fizemos até então, quando seguíamos junto com o resto da boiada, empurrados sabe-se lá por que ferrão e menos ainda por que razão. Passamos a escolher de maneira mais consciente e aqui me detenho: consciente e coerente, ainda que incoerente para o resto da turba, que provavelmente vai nos vaiar, nos desaprovar em massa, possivelmente nos linchar - pelas costas ou na cara – não faz muita diferença.

          Um tempo em que nos permitimos fazer o que nos der na telha por razões nossas e que não necessariamente serão entendidas como aceitáveis. São aceitáveis para nós. Isso basta. Mais importância para o que queremos, ainda que vá por aí alguma transgressão à moral vigente, aos bons costumes ou às normas da etiqueta social. E lógico, que contraria interesses vários, em benefício de nós mesmos e, porque não dizer, até mesmo dos que de momento se acham prejudicados por nós.

               Um momento de aprender a ser feliz com aquilo que escolhemos – bem ou mal – e, justamente por isso, compreender que amamos do jeito que sabemos neste momento e que, também por isso, nos cabe compreender que o outro, por pensar diferente, não nos ama ou ama mal ou ama menos. Compreendemos que o outro faz o que pode fazer e do jeito que sabe fazer. E que se não pode nos compreender, paciência. Cada qual tem o seu momento de entender que cada um ama do jeito que sabe e escolhe como consegue escolher. 

               Essa é a hora em que se faz uma única escolha que detona todas as demais. Escolhe-se a si mesmo. Nada nos prende, nada nos detém mais. Nenhum apego. Isso liberta. Essa, a minha escolha: eu mesma. Sigam-me os que quiserem. Se puderem.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/03/2007
Reeditado em 19/03/2007
Código do texto: T418027

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai