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Professores, pobres professores!

Professor, pobre professor! E não falo no sentido de pobreza financeira. Muito menos com espírito derrotista. Falo com espírito cansado da luta desigual que trava diariamente. É uma engrenagem que sofre girando contra o sistema ou vai na direção que lhe indicam e sofre do mesmo jeito porque a sua ideologia é massacrada pela demagogia de um sistema cruelmente vil.

Tudo lhe recai nas costas que não suportam mais tanto peso. Não nos venham jogar na cara que é uma questão de escolha nossa. Sabemos disso. Porém, escolher algo não significa concordar e dizer amém para tudo o que se ouve. Comportar-se como um cãozinho bem domesticado ou como uma marionete é o que o sistema quer. A pregação de autonomia não passa de recurso demagógico, pois se assim não fosse as condições seriam outras.

Cobram-lhe interesse e comprometimento, mas não se comprometem como deveriam com o que realmente é necessário. Exigem-lhe amor e dedicação ao trabalho como se fosse sacerdócio. Não dá para aceitar essa conversa. Amor e dedicação também exigem respeito, gratidão e gratificação digna.

Professor, pobre professor! Reprove o aluno que de nada quer saber e serás tachado de incompetente porque não soube chamá-lo para si. Esses pseudo-especialistas nunca ou quase nunca mencionam a necessidade de que para algo dar certo é preciso que a outra parte precisa estar disposta a aprender.

Professor, pobre professor! Passe todos os seus alunos e serás, num primeiro momento, aplaudido pelo bom trabalho. Porém, adiante, quando a vida exigir de muitos desses alunos, serás também tachado de incompetente porque tapaste o sol com a peneira.

Professor, não aprendeste ainda? O Sistema quer números positivos, pois trazem mais dinheiro – que nem sempre vai para a Educação, Saúde, Segurança etc. Faça o Sistema feliz e seja feliz por fora e infeliz por dentro.

Não se trata de falta de amor à profissão, à vocação ou seja lá o que for. O amor, quando não tem a contrapartida que merece, também fica fraco, adormece e os marinheiros começam a abandonar os barcos, os jogadores a abandonar os campos, os semeadores se cansam de semear em terrenos áridos, arenosos que não desejam receber e nem buscar a semeadura do conhecimento.

Professor, pobre professor! Tens de falar, mas não querem ouvir. Tens de mostrar, mas não querem ver. Tens de auxiliar, mas recusam ajuda. E tantas outras coisas mais a que não te dão ouvidos.
Eu sei que alguns desprovidos de intelecto ou carregados de más intenções ou obrigados pelo Sistema a dizer o contrário do que pensam, falarão dos maus profissionais e dos bons alunos. Tolos! Acham que os professores não sabem disso? Já falei demais!

Ainda bem que existem aquelas pessoas de espíritos elevados que sempre nos incutem otimismo e esperança e nos instigam a continuar a luta. Todavia, tudo que é humano tem um limite, e professores são apenas humanos.

Ainda bem que entre tantos e tantos espinhos, existem outras tantas belas flores a nos alegrar a vista. Ainda bem que entre tantas frutas podres, existem outros tantos de frutas boas. Ainda bem que entre tantas decepções, existem outras tantas alegrias.

E é por esses bons que, mesmo cansados, ludibriados, humilhados, escravizados pela necessidade de sobrevivência, muitos professores ainda labutam remando contra a maré ou se deixando afogar nela.

Cícero Carlos Lopes – 30/07/2013
Cícero Carlos Lopes
Enviado por Cícero Carlos Lopes em 30/07/2013
Código do texto: T4412398
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Sobre o autor
Cícero Carlos Lopes
Ferraz de Vasconcelos - São Paulo - Brasil, 43 anos
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