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Ausência de Lágrimas

Rosa Pena


Hoje acordei pensando que cada noite deveria ter o tempo de duas noites. Não quero ser duas pessoas, quero o período de duas noites. Uma para pensar, outra para dormir. 

Sinto que sou amante de MacBeth... Não foi ele quem assassinou o sono? Já fui prima irmã do Souza Cruz. Não sei quem inventou o cigarro, então vai ele mesmo. Fumava madrugada adentro e nessa época não olhava tanto para o relógio. Perdia-me nas espirais da fumaça. Agora os malditos ponteiros correm e a manhã chega junto com minhas olheiras e meu imenso cansaço de rolar na cama. 

Acho que eu deveria ter nascido lésbica, apesar de achar que não seguraria o preconceito dos héteros
, que são dois tipos: os que te odeiam pela frente, os que te odeiam pelas costas. E falando sério adoro homem. Não consigo sequer me imaginar fazendo sexo com alguém igual. Duas tangerinas no mesmo galho? Nesse caso... Viva a diferença! 

Estou sofrendo um "desequilíbrio químico, um curto-circuito das minhas combinações nervosas", porque a única coisa que sei neste exato momento é: As noites são minhas companheiras, as mulheres são as únicas que ainda possuem paciência para me 
ouvir. Sinto meu coração vazio de fantasias. Não tenho mais por quem sonhar. Parei de me debulhar em filmes românticos e Djavan já não me emociona com "você deságua em mim eu oceano". 

Quero sentir pena da Paloma na mão do Félix na novela das oito e ficar arrasada com uniões impossíveis. Fico com
 tédio. 

Preciso de um segredo envolvente. Jamais rifaria meu coração como já li aqui na Net
, mas o alugaria para quem quisesse viver fortes emoções, daquelas que nos fazem perceber que estamos vivos. Nada exigiria do meu inquilino exceto ser voyeur de seus anseios e de vez em quando ouvir uma palavra de afeto sobre a proprietária (euzinha). 

Essa palavra quem sabe não me daria o direito de sonhar, ainda que com o impossível, mas sempre seria melhor do que este vazio absurdo que estou sentindo permanentemente. Meus olhos ardem com a secura. 

Está doendo essa ausência de lágrimas. 



(Refeita da original do mesmo título/ rosa pena)
Livro: Com licença da palavra /2003
Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 07/10/2013
Reeditado em 07/10/2013
Código do texto: T4515148
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
987 textos (1585146 leituras)
48 áudios (24863 audições)
33 e-livros (31308 leituras)
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