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Mundo virtual, sim... Pero no mucho...

Acordo em meio ao silêncio sem sequer resquícios dos vapores do sono, como se ao invés de duas, tivesse ficado adormecida por muitas e muitas horas... Tateio o escuro onde apenas brilha um tênue raio de luar filtrado pelas cortinas e acendo a luz; visto um agasalho para me proteger do frio intenso que vem de fora, enquanto duas grossas lágrimas quentes descem pelo meu rosto... Olho - me no espelho e um sorriso de escárnio acompanha minhas palavras: - Olá, Madame insônia! Seu relógio errou novamente a hora? Esqueceu - se de reprogramá - lo? Minha voz soa aos meus ouvidos como se viesse do outro lado de um muro alto... Meia hora depois, eis que me encontro olhando para outro "espelho", o eletrônico, aquele onde todas (ou quase) as pessoas se parecem, e sem que eu jamais as tenha visto, sinto que temos algumas coisas em comum, pois somos insones, solitárias, carentes... E hipócritas, simuladas... É, tudo isso, e mais isto, porque diante deste "espelho", os trejeitos e macaquices dos que querem chamar a atenção para si pela sua alegria, sua leveza, seu descompromisso com a realidade se parecem, também; todos nós tentamos fazer com que acreditem que somos felizes dentro dos nossos casulos, que somos livres, bonitos, espirituosos, sem problemas, Poetas, românticos e até sabemos cantar. Não censuro. Não me censuro. Isto faz parte de mim, de nós... O ser humano quer sentir que existe, seja como for, precisa disso (Apenas há que se preservar caráter, ética, educação e respeito, também, no mundo virtual!! Certas pessoas esquecem disso ou fazem questão de agredir os outros, magoar, com seu comportamento nocivo.), e se temos chance de viver a fantasia, que ela seja ao menos positiva, que quando se desligue o "espelho" para o qual ficamos horas, olhando e batucando nas teclas, reste ao menos a leveza, sim, de algum tempo de esquecimento de seja o que for, que nos tenha feito ficar como estamos, sozinhos, ilhados, quase esquecidos, mas ainda guardando a esperança de mudança, porque se ela não existisse, nem procuraríamos nos sentir mais vivos, nem procuraríamos a companhia de outras pessoas e nem ficaríamos treinando sorrisos e gargalhadas (que às vezes são, sim, muito reais...), querendo despertar a atenção dos outros para a nossa existência. É para o chamado mundo virtual que revelamos toda a nossa realidade... Sem dizer uma palavra. E a grande verdade é que, bem no fundo, somos, ou ao menos temos, muito do que passamos para os outros, pois ninguém consegue usar uma "máscara" cem por cento do tempo sem que ela se "esgarce" em algum lugar... É por esta razão que muitas vezes simpatizamos ou antipatizamos com algumas pessoas: Porque nalgum momento a "máscara se esgarçou" e pudemos vislumbrar algo de muito real que nos agradou, ou nos agrediu... Mundo virtual, sim, "pero no mucho", para quem tem alguma sensibilidade...
Arianne Evans
Enviado por Arianne Evans em 27/05/2014
Código do texto: T4821615
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Arianne Evans
Curitiba - Paraná - Brasil, 69 anos
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Arianne Evans