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(imagem de Victor Mello, www.thousandimages.com )

CURTA? DEMAIS...

          Sabe quando a gente pára pra olhar a manhã chegando, com o sol surgindo numa linha distante, numa praia, e de repente o silêncio que se faz dentro de nós ensina a beleza dos sons? Você já parou e ficou ali apenas esperando pela hora de permanecer no silêncio dentro de si mesmo, com os planetas e as estrelas rodando a sua volta? Não deu, não é? Você fica tão ocupado com a vida que nos ensinaram que não dá tempo pra viver a vida enquanto é tempo. 

          Você já conseguiu perceber como é glorioso o momento em que a lua aponta no horizonte e a gente pode sentir que os sonhos estão mais perto de nós do que permitimos e que aqueles que amamos, estando do outro lado do mundo, estão dentro de nós nessa hora? Também não dá, não é mesmo? Fica-se tão (pre)ocupado com o horário daquele compromisso que você nem quer tanto ir, mas vai porque disseram que é bom para o seu trabalho, tão preso nas coisas que acontecem com os outros e que você acha que são suas e ...é , não dá tempo pra isso. 

          Já parou pra se sentar em silêncio como quem espera um sinal dos céus que nos mostrasse o caminho que leva ao lugar de onde vêm os anjos e traçar o mapa dentro do seu coração? Já parou tempo suficiente pra tomar consciência que amor é não apenas aquele tesão absolutamente diferente de qualquer outro, mas que exige que venha acompanhado de cumplicidade, carinho, intimidade, confiança inabalável e, principalmente, uma dose extra (terrestre) de paciência e tolerância? Não, você não tem tempo pra parar e descobrir isso no silêncio, aquele de dentro. Aquele silêncio grita em altos brados mas você não ouve porque o barulho do mundo lhe tapa os ouvidos, não é mesmo? 

          Já fez isso? Porque há um tempo em que o tempo pára mesmo que o relógio teime em mudar os dígitos, há um tempo em que se volta no tempo . Eu não sei se você consegue, porque é preciso pra isso crer na Verdade. Aquela que mora em você e que o mundo diz que não existe. Há um tempo pra sorrir, um tempo pra chorar e um tempo pra viver. Mas você corre sempre porque a vida é curta demais. 

          Você corre sem saber que não sai do lugar. Você não pode ver, porque precisa correr. A vida é curta demais. E você acha que curte. Mas a vida passa correndo e é quem está te curtindo. Com sal grosso empedrado e em pedradas. Mas você não vê.
Ela é curta demais e acontece enquanto você está ocupado pensando nela.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/05/2007
Código do texto: T499062

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 56 anos
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Débora Denadai