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(IMAGEM DE JOSÉ GAMA, www.thousandimages.com )

DANÇOU. E SEM PAR.

          E um dia você acorda e BUM!!! Aquilo tudo foi-se, findou-se, finito, acabou, babau, já era, f..deu-se. E aí, faça o favor, escreva em letras vermelhas, sublinhadas de verde-abacate-fosforescente, que não há (e olha que eu sou toda espiritualista) de cármico, inevitável, predestinado, fatalismo, determinismo, inferno astral, macumba que te mandaram, conspiração de seres das trevas, signos que não se entendem ou o caramba a quatro que você queira imaginar ou responsabilizar terceiros. Não. 
          
          Convença-se disso. Não foi ninguém fora de você e a outra criatura que criaram o caos. Não é Deus te castigando ou querendo te colocar à prova. Nada, ninguém.
Se alguém é responsável pelo finado e maravilhoso e incrível e nunca dantes havido amor em letras garrafais que você supunha ter , este alguém é você mesmo. E, como nestes casos, esta é uma sociedade de dois, é claro que o sócio também tem sua parcela de responsabilidade. Esta não é uma Sociedade Anônima. É uma sociedade de dois. Um rompeu o contrato e o outro propiciou, de alguma maneira, o rompimento. Então, vamos esquecer possíveis sócios anônimos, que nem são anônimos e nem faziam parte desta sociedade. 

          Você goste ou não goste, vai ter que assumir a verdade. Vai ter que encarar a realidade e reclamar para o espelho ou para o bispo, pode escolher. Nada, absolutamente nada, por melhor que seja, por mais perfeito que possa parecer, resiste à imaturidade emocional, à lacuna não preenchida, ao silêncio fora de hora, à desconsideração, ao vazio, ao oco, à escuridão e à indiferença. Não há nada que possa com o “deixa estar pra ver como é que fica”, porque amor é coisa que pede atenção online 24 horas por dia. Amor é bicho exigente, que você tem que estar atento ao que faz e, principalmente, ao que deixa de fazer. Tem que estar atento ao que o outro faz ou não, e , conforme o caso chamar a criatura à realidade pra acordar e ver que tem algo de muito podre no reino da Loveland. 

           Até as coisas mais plenas, mais perfeitas, mais afinadas sucumbem sob o descaso, o não, o “sei lá”, o “vamos levando”, o “empurra com a barriga até que passe”. A verdade, meus caros, é que tudo é resultado de cagadas homéricas que fizemos, por livre e espontânea e burra escolha. Por vontade de permanecer covardes e inertes. Em resumo, a coisa é resultado de uma habilidade terrível para a estupidez tetraplégica, surda, cega, muda que acaba com o que quer que seja, por mais intensa e por melhor que possa ser. 

          Não acredita? Procure seu terapeuta e peça que faça uma análise fria das suas perdas e danos. Aliás, até um pai de santo vai sacramentar o que estou dizendo. Escolheu mal? Finou-se, meu caro. Foi-se , dançou. E sem par.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 04/06/2007
Reeditado em 04/06/2007
Código do texto: T513100

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 57 anos
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Débora Denadai