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PRAIA DE BICANGA

                             

                                   
Naquele tempo, em plena segunda-feira, meu marido liga do escritório:
-Alô, querida! Já arrumou as coisas?
-Ainda, não.
-Então, arrume que sexta-feira sairei do trabalho mais cedo. É só o tempo de passar em casa, pôr tudo no carro e zarparmos para Bicanga. -Praia na Serra, ES.
Durante a semana, tudo que é lembrado é colocado em bolsas grandes.
No dia combinado, lá vamos nós, como fazemos há mais de vinte anos.
Felizmente, Bicanga está melhor. Antes, era uma verdadeira roça. Havia poucas casas; uma pequena mercearia uma escola e um sítio, cujos animais viviam soltos, pastando pelas ruas sem calçamento.
Muitas vezes, tomei corrida dos bois, quando voltava da praia com as crianças. Às vezes, pedia carona para passar no meio deles, sob os gritos de felicidade dos meninos: eia, boi! Ei!. Tchá... Tchá...Tchá...
Graças a Deus, o progresso está chegando por lá. A estrada até Manguinhos já está quase toda asfaltada; surgiram novas casas; aumentaram a mercearia e até construíram a igreja de Santo Antônio.
No final do verão de 1998, a prefeitura tirou os quiosques da orla, que eram de madeira, e os seus donos estão construindo padronizados, de alvenaria.
Se Deus quiser, no ano 2000 teremos uma praia bonita, toda iluminada e com calçadão.
Enquanto isso, o povo passa aperto num dos quiosques improvisados.
-Rodolfo, onde é o banheiro?
-É ali, atrás daquela moita.
Um freguês, que estava tomando uma cerveja geladinha, disse:
-Mas, vê se não molha o muro, viu?
-Por quê?
-Porque é meu, oras!
O dia todo é um entra e sai no tal ‘mictório’.
-Querido, você viu como aquele senhor demorou no mato?
-Não.
-Tem um tempão que ele está lá.
-Acho bom você tomar o seu guaraná, olhando para o mar.
-Nossa! olha aqueles rapazes indo para o matagal!
-Ei! Troca de lugar comigo! Assim, você para de vigiar o ‘banheiro’!
-Que bobagem, querido! Oi, Bel! Você tem Peroá?
-Tenho, sim.
-Por favor, frita cinco para nós. Não se esqueça da farofa, do vinagrete e da batata frita das crianças.
Terminamos de almoçar e fomos para casa, que fica a uns 100 metros da praia, para tomarmos banho e tirarmos uma soneca.
Isso que é vida boa! Êta mundo bom! Acaba não mundão!

NB - ‘Acaba, não, mundão’ é o que o meu irmão, Paulo, dizia quando olhava para o marzão.
Que Deus o tenha num santo lugar. Amém.

                             

Anna Célia
Enviado por Anna Célia em 05/05/2015
Código do texto: T5231710
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Anna Célia
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 73 anos
1158 textos (58271 leituras)
1 e-livros (220 leituras)
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