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Na última sexta-feira, 4 de setembro, fiz algo inusitado em minha vida: MATEI aula! Cabulei!!! e estou até agora encabulada com isso. É bem verdade que é um curso de música no Ensino Regular. Mas... matei. E foi por um "motivo justo" - como li outro dia em um texto aqui no Recanto. Afinal, a essa altura da vida, não é todo dia que se passa a tarde no parque da cidade na companhia do amor da vida da gente. E também porque já sabia que não ia vê-lo na passagem do níver dele, que é 7 do nove, - pois é - acreditem - é sempre feriado! Dia da Independência! Então, nada mais justo do que me libertar a ideia de nunca ter matado aula! O fato é que foi uma tarde muito gostosa. Depois o acompanhei até a Tomóios com Amazonas, onde ele embarcou no busão junto com aquelas ataduras e gesso no braço esquerdo. Sim. Ele está, ainda, com gesso no braço... e nem sabe se está quebrado ou não!
Nos despedimos e eu seguir para o trabalho. Mas no caminho, ainda era cedo, resolvi procurar um anel em formato de dragão. O meu sofreu um acidente e se partiu em três. Entrei na Galeria do Ouvidor. Subir até o primeiro andar, que fica a três andares do piso Curitiba e a dois pisos da São Paulo, então deveria ser o quarto piso. Mas... é o 1º Andar! Entrei numa loja de joias e a vendedora, muito gentil e atenciosa, me mostrou os anéis de prata. Perguntei pelo que procurava. Ela me mostrou um anel com formato de dragão. Não gostei do formato em alto-relevo e  de não ser ajustável como o meu era. Gostei menos ainda do preço - R$171,00. Mas ... mulheres! Sabe como é... experimentei: Lindo! Lindo! Lindo! Só não levei. Peguei o cartão da loja guardei em algum lugar da bolsa e olhei as horas no relógio da loja vizinha: 16 horas e 50. Bom, hora de atravessar o viaduto Santa Teresa. De repente:
- Ei!
- Sim.
- Eu estava olhando você desde a hora que subiu as escadas.
Era o segurança da loja. Fiquei incomodada.
- Você não está lembrada de mim, né? Arcleidison!
- Arcleidison? 7º ano?
- Eu mesmo! Vi você subir as escadas e falei: "conheço essa pessoa!" Aí esperei você sair da loja. Trabalho aqui. Você não mudou nada! Eu já casei, separei, tenho uma filha linda. Não aguentei. Três anos de casado. Mas... conta... o que você tem feito? ainda dando aulas? Puxa! bons tempos aqueles... você era a única que não reclamava de mim e conversava com a gente.
17 h e 20:
- Legal te ver, mas preciso ir. Tenho que "dar" aula agora. Trabalho à noite também.
- Me passa seu whatsapp. Pra gente conversar.
- Arcleidison, acredite, não tenho zap-zap! - e mostrei meu aparelho celular pra ele. Um LG antigo, não tem nem câmera!
Rimos muito e ainda disse que era emprestado. E é. Meu pai me cedeu um aparelho que ele não usava mais.
- Fessora! pelo menos me passa seu número pra eu mandar mensagem. E compra um celular melhor! - e ria muito!
Nos despedimos, atravessei a Afonso Pena e seguir pela Tamoios, atravessei o Viaduto Santa Teresa em direção à rua Itambé, no Floresta.
No caminho fui pensando naquele menino-problema de onze anos atrás! Mudou bastante: se tornou um homem honesto e trabalhador. Puxa... e como matava aulas!!!
Nil de Sousa
Enviado por Nil de Sousa em 12/09/2015
Reeditado em 12/09/2015
Código do texto: T5379650
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Nil de Sousa
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 49 anos
79 textos (2427 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/01/20 11:35)
Nil de Sousa