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Era uma vez...

Os contos de fadas sempre começam com Era uma vez... essas palavras quase mágicas, quase sagradas, tem o poder de nos transportar nas asas do tempo. E nele nós voamos, voamos sem destino, sem bússola, sem copilotos ou alguém para manejar o leme. Pois bem, era uma vez duas professoras, funcionárias antigas, cientes do seu papel e da sua importância perante a comunidade que tão intrinsecamente haviam conquistado e se deixado conquistar. Tornar sua profissão algo sagrado, comprometendo-se com o fazer pedagógico e com as transformações que sabia serem possíveis, era mais que um lema, um modo de ser e de viver, era seu ofício. Mas, me dirão, o que de contos de fadas existe neste relato? Nada, ou tudo, deixo o veredicto a cargo do leitor. Talvez a literatura se infiltre em todos os meus poros e transforme um fato (corriqueiro?) em algo que mereça ser partilhado com vocês queridos leitores. Na verdade, tudo começou com um evento literário, lindo, com livros adquiridos e uma bagagem extra; uma visita rápida a uma amiga que estava aniversariando e a atitude natural de aliviar o peso enquanto fariam uma rápida visita a essa amiga. Teria sido uma imprudência deixar os seus pertences guardados no seu ambiente de trabalho? Nada de mal já que, obrigatoriamente em seu retorno passaria na calçada da instituição. Nos fatos a seguirem faço o link com o surreal e com a literatura do inacreditável. Um novo porteiro simplesmente não as deixou entrar no recinto. Munidas de toda paciência e por entender que ele não as conhecia, ainda, lançaram mão de estratégias como: ele poderia pegar as bolsas, olhar o ponto, as fotos das duas expostas no mural da instituição e alguns outros argumentos, verídicos e feitos de forma extremamente educada. Foram mais de 20 minutos, um diálogo através de um portão de ferro, uma rua deserta e ambas à mercê dos riscos que a noite tão cruelmente no traz. Eis a sentença: somente entrariam com a autorização da gestão! Pronto: julgamento findo, sem apelação! Ninguém entra, nada sai, somente com a autorização da gestão. Até aí NORMAL, se elas não tivessem com os celulares descarregados. Proposta: que ele ligasse então! Não tinha o número das gestoras. Fato! E se não tinha celular, se não tinha como tirar o material... Como chegar em casa. Enfim alguém chegou para buscar uma das professoras. Bingo! Um celular para ligar. Só restava torcer para ser atendida. Vocês me dirão: ele estava cumprindo com a sua função. Bingo outra vez! Mas também poderia ter havido má fé, a ligação ter sido feita para qualquer pessoa que se passasse pela gestora. Enfim... Após a entrada autorizada, acompanhadas e vigiadas para a retirada dos pertences: livros, bolsa com chave de casa, óculos, etc... Situação bizarra para quem trabalha a mais de 20 anos na referida instituição. Enquanto isso a portaria ficou aberta e sem nenhuma proteção, pois o funcionário extremamente zeloso com o patrimônio público, se preocupou tanto em acompanhá-las (ou observá-las?) que deixou o portão aberto, às 18h e aí, sim, com riscos para quem estava lá dentro. No final veio a pérola da noite: recebi ordem de não deixar nem minha mãe entrar.
- Com toda razão! A sua mãe não trabalha nessa instituição.
Pois é, contra fatos não há argumentos, contra a desinformação, somente uma boa dose de paciência, ou seria : só Jesus na causa?
FATIMA MOTA
Enviado por FATIMA MOTA em 30/10/2015
Reeditado em 02/11/2015
Código do texto: T5431762
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
FATIMA MOTA
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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7 e-livros (438 leituras)
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FATIMA MOTA