Previsibilidade


O comentário sobre o texto dizia que ele era previsível. Seu final era previsível. Talvez toda a escrita, ao menos para o olhar daquele leitor, era toda previsível.
Em um mundo em que se busca constantemente o imprevisível, o novo, o desconhecido, o inalcançável (ou quase), talvez uma das grandes lacunas do ser humano seja exatamente isto: na busca e na querência do improvável, do imprevisível, do novo, ir deixando de lado a observação da beleza do que é previsível, do que está lá há tanto tempo, daquilo que não muda.
É obvio, porém que, em muitos âmbitos as descobertas dos homens trouxeram grandes benefícios, como na área da saúde e também da informática. Mas estas descobertas são exteriores. Há as descobertas exteriores e as interiores.
Aqui, depois de vários dias de chuva, o sol enfim apareceu. O céu está todo azulado, sem uma nesga de nuvem sequer que pode ofuscar o seu brilho. Á noite, com toda a previsibilidade, a lua aparecerá para exercer o seu governo junto ás estrelas.
As flores do campo, as árvores frutíferas, o barulho das cachoeiras, o som do assopro do vento, o mesmo rosto de sempre da família amada e dos amigos queridos, aquele arroz feito na hora, o feijão feito na hora e aquele ovinho frito.
O latido do cãozinho na varanda.
O som da cantoria dos passarinhos ao amanhecer.
O barulho do choro ou das brincadeiras das crianças.
É. Ainda bem que a maioria das coisas ainda são previsíveis. Além do mais, o preço de tudo isto nunca se altera. Não tem alta e nem baixa, é sempre o mesmo.
E o seu valor é incalculável.
Allves
Enviado por Allves em 18/01/2016
Reeditado em 06/02/2020
Código do texto: T5514866
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