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GRUPO DE TRABALHO WHATSAPP (Pessoas virtuais não gostam de mostrar seu intelecto.)

            Hoje ouvi uma expressão interessante de uma professora na hora da reunião pedagógica, a primeira desse ano, diga se de passagem: — "O aparelho celular para o aluno é uma extensão de si mesmo". Apesar de tudo, professores continuam proibindo o uso de aparelho celular em sala de aula! Então, o outro pulou dacolá, dizendo: —"É proibido pelo regimento". Todavia, eu continuo achando que o problema não é o aparelho celular e nem do regimento antigo e desatualizado, mas sim o mau uso da ferramenta e no momento impróprio.
           Os professores também não abrem mão de sua extensão intelectual - o celular -  afinal há muitos aplicativos atraentes, interessantes e úteis. Então, toda escola que trabalho tem um grupo oficial no Whatsapp, com a proposta de agilizar os trabalhos. Porém, a rigidez implantada ao aluno, sobre o uso do aparelho, não é aplicada à distribuição das postagens ali. Não tem hora e nem conteúdo, faz-se de tudo: vendem-se bolsas, batom, frutas; evangelizam-se os colegas; esbaldam-se em bom dia, boa tarde e boa noite; tiram-se as diferenças com ameaças e tudo. Meia noite, ouço o sinal. Chegou mais uma mensagem. Esforço-me para ler logo, pois pode ser um comunicado da direção, assim talvez trabalho melhor! Nada, é só mais um "kkkkk" incentivando a discórdia sobre modulação.
            Aí, morre a mãe ou o pai do coordenador; a família do professor tal sofre um acidente, estão muito feridos; já o outro está passando mal em casa mesmo. Então, os solidários enchem a conta de lamentações: "sinto muito pela perda", "vai dar tudo certo", "Deus te abençoe e conforte" e "tenha fé". Todavia, a ala dos insensíveis e festeiros está postando fotos de alta resolução de bolos, salgadinhos, frutas e refrigerantes, tudo junto e misturado, mostrando ao grupo sua felicidade, pois a reunião que os moribundos não puderam ir foi bem recompensada. Não sei por que as pessoas gostam de se mostrar sorridentes, especialmente os que usam aparelho nos dentes! E sempre na beira de um córrego, se fotografam para as redes sociais. Ou sentam-se à porta da rua com uma lata de cerveja na mão, mostrando-se estufado de prazer, mas tudo isso não bastará se não fizerem uma self.
          Aqui só estou sentido falta da pornografia, até porque a violência já aparece abundantemente nas noticias "linkadas", ainda bem, não tem aluno adicionado, entretanto é possível  despertar o desejo dum filho de algum componente descuidado do grupo, à tal traquinagem! Talvez, dirá como eu: — "faltam só as pornografias comuns nessas mídias de relacionamento para o grupo 'bombar'". Ah! desculpe-me, eu esqueci que se trata de um grupo oficial de trabalho.
           Eu também criei um grupo no whatsapp com alunos da equipe de teatro da escola, com o intuito de desenvolver melhor os trabalhos, mas tornou-se uma "brigaiada" e banalização de tudo, por final, "grilei" e excluí. Não funciona, se quiser conviver com o que pressupõe o distanciamento da repressão. Por isso, não sei até quando as tecnologias deixarão de ser problema para as entidades educativas  tradicionais!?
           Já dizia o Mário Quintana: "Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas..." Eu diria que essas pessoas virtuais não gostam de mostrar seu intelecto.
           Você invade minha liberdade, e eu, a sua privacidade. Poi é, e não reclame de falta de privacidade nas redes sociais. Se lá tem todas as suas informações, foi você quem lá postou. Portanto, deixe de se fazer de vítima. Depois de tudo, vou fechando aqui com as palavras de Alexandre Dumas Filho, escritor francês: "A felicidade aparente é a que nos procura mais inimigos".
Kllawdessy Ferreira
Enviado por Kllawdessy Ferreira em 19/01/2016
Reeditado em 21/01/2017
Código do texto: T5516221
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kllawdessy Ferreira
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 00:27)
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